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MOCAP: não, não é animação. Mas eu posso, então eu faço.

This entry was posted on jan 28 2008

Beowulf: birolhinho, hein?
Nesse sábado, li um artigo no site AWN escrito pelo grande Gene Deitch. Para quem nunca ouviu falar, o animador, hoje com 83 anos, já trabalhou em estúdios como UPA, Terrytoons, MGM (onde produziu diversas animações da dupla Tom e Jerry) e Paramout. No artigo, entitulado “Yes, but is it animation?“, Deitch fala sobre um tema citado sempre com grande ojeriza pelos animadores, o MOCAP.

MOCAP é a contração de “motion capture”, ou captura de movimento, em tradução livre. Essa técnica, utilizada atualmente em grandes filmes e também na publicidade, se resume em gravar os movimentos de um ator – que veste
uma roupa com sensores que identifica e captura toda a dinâmica – e transferí-los para um computador, que identifica a informação deixando pronto uma base de movimentos que podem ser inseridos em qualquer personagem 3D, substituindo a necessidade de se animar este personagem pelas técnicas tradicionais.

No artigo, Deitch deixa clara sua opinião sobre o processo, deixando claro que, para ele, essa técnica não irá acabar com os animadores (e eu acredito, mesmo sem ele ter citado, que isso impacte também nos atores e atrizes), mas irá eliminar a criatividade e a imaginação do processo de animação. Como estopim do assunto, ele cita o filme Beowulf, dirigido por Robert Zemeckis, que utiliza essa técnica aplicada a imagens que tentam recriar seres humanos com perfeição, mas o máximo que conseguem é produzir manequins. Houve até um certo bafafá entre os animadores estadunidenses quando o OSCAR considerou o filme para a categoria MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO.

Lembro de vários jornais e revistas chamando o filme de “revolucionário” e “o futuro do cinema”. Balela. Pessoalmente, acho que o MOCAP tem sua serventia, sim: ser utilizado como uma ferramenta de suporte, exclusivamente para efeitos especiais e para evitar alguma cena que seja muito perigosa (para não dizer impossível) para o dublê. Exemplos que vêm à mente que utilizaram muito bem o MOCAP são a trilogia O Senhor dos Anéis e o King Kong, ambos do diretor Peter Jackson. Na prática, essa busca incessante em recriar um ser humano de maneira ultra-fiel utilizando 3D é até interessante, e se aplica ao que eu disse acima sobre efeitos especiais. Mas não vejo o porquê utilizar isso como base criativa para um filme ou uma série de tv. Para quê imitar um Anthony Hopkins ou um Ray Winstone ou uma Angelina Jolie quando você pode ter O PRÓPRIO ATOR? A resposta, a meu ver, é simples: “porque eu posso”.

Quando digo eu, quero dizer o próprio Zemeckis, repetindo para si mesmo ao se olhar no espelho. Mesmo depois daquela atrocidade conhecida como O Expresso Polar. Animação não é apenas uma maneira de criar coisas. Como o mestre Chuck Jones disse, “animação não é a ilusão da vida. Animação é vida”. Vida não é só imitar fielmente os movimentos humanos, ou ter uma pele tão detalhada onde se possa ver os poros. Por isso que o Pernalonga e o Mickey são muito mais humanos do que o Beowulf de Zemeckis ou a Dra. Aki Ross de Final Fantasy: The Spirits Within. Beowulf, no final, acaba se tornando um filme desnecessário: descartável, vazio, falso, mesmo que o roteiro não seja assim tão ruim. Pessoalmente, tremo nas bases ao saber que um filme utiliza MOCAP.

Deitch termina o artigo falando que devemos parar de categorizar os filmes pela técnica empregada, e analisar se eles têm uma história que realmente valha a pena ser contada, e se é bem contada. Concordo totalmente – ainda mais com filmes como Happy Feet e A Casa Monstro, mas será que dá para substituir os manequins por personagens mais humanos? Tipo um ratinho cozinheiro em Paris, ou até mesmo um esquilo neurótico por noz? No final, vão acabar culpando o pessoal de casting… :-)

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4 Responses to “MOCAP: não, não é animação. Mas eu posso, então eu faço.”

  1. NUNCA SERÃO.

    Animação é animação, Mocap é outra coisa.

    Fanboy, não postou nada ainda sobre o verdadeiro retorno triunfal da Disney, Princess & The Frog??


  2. MEH, ainda prefiro as animações do Monty Pithon como ápice criativo e técnico do gênero.

    Cara, o Beto me passou teu blog, tá bacanão. To tentando por você e ele na lista de links da barra lateral mas tá osso aqui no WordPress. Vamos combinar algum dia pra ver Sopranos e jogar Xbox, carai.
    Abraço!


  3. em primeiro lugar parabens pelo blog, mas vamos lá ao assunto do MOCAP por mais que uma pessoa saiba animar e criar bons rigs de personagem existem determinadas situações em que é insano criar uma animação do zero, obviamente q usar um MOCAP para um waalking cycle é preguiça porem vamos supor q vc tem fazer um personagem daçando balé….meu deus veja quantos movimentos e quanto estudo vc tem q ter pra poder fazer uma dança de balé do zero….eh insano…nesse caso um MOCAP de dança cai perfeitamente….o biped ou o cat agradece :)

    abraço e mais uma vez parabens pelo blog


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