Monthly Archives: setembro 2008

WOLVERINE AND THE X-MEN: review dos episódios 1 a 7 da primeira temporada

A trama é instigante: os mutantes estavam felizes e faceiros na mansão onde funciona o Instituto Xavier para Aprendizado Avançado, quando Charles Xavier e Jean Grey sofrem um ataque mental antes de acontecer uma grande explosão. Xavier e Jean são dados como mortos, e a mansão é completamente destruída. Sem saber como lidar com a morte de amigos queridos e sem liderança, os X-Men se separam. Um ano se passa e, sem os heróis mutantes de Westchester, as leis anti-mutantes do Senador Kelly ganham cada vez mais força: soldados agora andam pelas cidades perseguindo e aprisionando mutantes à esmo, causando caos pelas ruas. Quando essa força anti-mutante chega a prender humanos comuns apenas pelo fato deles terem ajudado Wolverine, o carcaju decide que é hora de remontar a equipe. Mas será que todos irão voltar? Como cada x-man está vivendo hoje depois de tanto tempo? O que andam fazendo? Como estão lidando com a perda?

Muito legal, né? Nada mais de perder tempo com histórias de origem, já que os filmes dos mutantes ainda está fresco na cabeça do público. Trabalhar uma nova idéia, novas possilidades com personagens que o público já conhece. No trailer, Cyclope agora vive sozinho, ainda triste e amargurado, e não aceita o pedido de Wolverine para voltar à equipe (e deixa isso bem claro ao jogar Logan pelas paredes com uma pela rajada ótica). Uau! Tudo para dar certo, né? Então me responda como é que conseguiram transformar uma premissa tão bacana em algo tão absurdamente ruim? Para aqueles que tinham altas expectativas como eu, podem esquecer: Wolverine e os X-Men é mais uma série animada descartável, e que chega a ser vergonhosa em alguns momentos.

Vi sete episódios até agora e todos, sem exceção, possuem roteiros fracos, personagens mal desenvolvidos e rasos, que cospem diálogos que soam mais falsos que um desenho bem feito do Rob Liefeld. As histórias são infantis mesmo, bobas e forçadas, utilizadas apenas como uma desculpa para introduzir novos personagens, e a grande maioria deles não acrescenta nada. A premissa, que por si só levanta tantas possibilidades bacanas, é deixada de lado  para colocar personagens como Mojo (não aquela idéia bacana da versão Ultimate, onde Mojo é apenas um produtor de televisão que cria um reality show onde mutantes são caçados, mas sim aquele ser sádico de outra dimensão viciado em luta de criaturas superpoderosas  – e tá, vá, eu gosto bastante da Espiral, que aparece nesse mesmo episódio), Nick Fury (que é basicamente um filho da mãe de marca maior e que resolve os trabalhos sujos do governo norte-americano, deixando suas características como o bronco herói de guerra da cronologia normal, ou sua versão Samuel L. Jackson inteligente e bad-ass do universo Ultimate, de lado), Rei das Sombras (como raios a Tempestade foi parar na África e se tornou uma rainha? Tudo bem que os fãs até sabem disso, mas quem assiste o desenho pela primeira vez é jogado no meio desse plot rocambolesco, onde um demônio ou seja lá o que for aquilo aparece para dominar o corpo da Ororo e causar o caos) e o Huk (com tanta coisa para resolver antes, realmente precisava colocar o monstro verde?) na trama. O episódio em que aparece o Gambit, por exemplo, foi escrito por Bob Forward. Ele, junto com Larry DiTillio, foram as mentes criativas por trás daquela belezura de série chamada Beast Wars. Em “Wolverine and The X-Men”, Forward entrega um episódio que chega a ser vergonhoso, sem dúvida o pior dos sete. Isso sem falar que eles estragam tudo logo no quarto episódio, quando é mostrado que Xavier não morreu, mas está em coma na ilha de Genosha sob proteção de Magneto. Aí do nada o careca começa a se comunicar do futuro com seus pupilos sobre um grande cataclisma que acontecerá em breve, voltando à trama de Dias do Futuro Passado… quer dizer, pura patacoada. Tudo isso talvez seja o reflexo da pouca experiência e falta de criatividade de Craig Kyle, o head writer da série (os primeiros roteiros profissionais dele são para X-Men Evolution, de 2004), ou nenhuma voz ativa em uma série controlada pelos executivos, quem sabe.

Se os roteiros são ruins, a animação segue pelo mesmo caminho. Ok, o design dos personagens é bem interessante, com uniformes que lembram a fase mais exagerada das HQs da década de noventa (Vampira utilizando o collant verde e amarelo, Wolverine com o uniforme amarelo e azul) e a fase mais recente, escrita por Grant Morrison (Cyclope com um uniforme azul-marinho que deixa apenas a boca à mostra e um sobretudo, Rainha Branca com um top tomara-que-caia branco, Fera que lembra a sua versão cinematográfica, com colete e calça azul com detalhes em amarelo), mas a qualidade técnica deixa muito a desejar, com fracas expressões faciais e erros gritantes de profundidade. Isso sem falar no CGI, porcamente adicionado às cenas tradicionais. E quem disse que eu consegui encontrar o nome do responsável pelo character design? Nem no IMDB tem!

Se tudo isso ainda não fosse suficiente, a dublagem consegue jogar a série na lama, de tão ruim que está. Andei pesquisando e parece que a responsável é uma empresa chamada Uniarthe, a qual eu nunca tinha ouvido falar até então. Parece que eles são novos no mercado, sei lá. A qualidade é tão fraca que cheguei a achar que estava vendo uma daquelas dublagens feitas por fãs, utilizando apenas ferramentas simples no computador, manja?

É interessante notar que a série estreou no Canadá e aqui na América Latina antes mesmo de ser exibida nos EUA, que tem lançamento marcado para o primeiro semestre de 2009 no canal Nicktoons. Será que eles perceberam que a série é tão ruim e quiseram testar em outros mercados? Vai saber. Bom, quem tiver interessado em assistir basta ligar no canal pago Jetix de segunda a quinta-feira às 15h30. Eu vou continuar assistindo para ver no que vai dar, mas prefiro assistir a nova série do Homem-Aranha, que está maior legal… e eu nunca comentei por aqui, veja você! Bom, mais posts pelo caminho… :-)

Um ensaio inicial sobre “experiência”

Estou de volta, pessoas. Sem blablablá, e direto ao ponto. :-)

Jeffrey Katzenberg, a mente criativa (?) por trás da Dreamworks Animation e sem noção-mor, declarou que os filmes exibidos em stereoscopic (também conhecido como tridimensional ou 3-D – não confudir com filmes em CGI) serão o futuro da indústria cinematográfica, a terceira grande revolução (após o som e a cor) que fará com que as pessoas voltem a freqüentar os cinemas como antigamente. “Our lives are going to be forever changed. Because this is the future for us.”

Katzenberg é, como diria o Capitão Nascimento, um fanfarrão. Pessoalmente, acho que ele está exagerando (como sempre), e olha que eu não vi nenhum desses filmes em 3-D dessa nova safra até agora, como Viagem ao Centro da Terra, Hanna Montana & Miley Cyrus: O Melhor dos Dois Mundos e U2 Live, por exemplo. Ainda assim, note como tem saído cada vez mais filmes utilizando essa tecnologia, algo que muita gente já tinha dado como morta desde a década de 80, e grandes veículos de mídia abordam o assunto com mais e mais freqüência. A indústria cinematográfica fazendo das tripas coração para atrair aquele público desgarrado, que têm fugido feito diabo da cruz ano após ano das salas de cinema, tentando oferecer uma experiência nova e exclusiva que não pode ser conseguida com as grandes telas de LCD de imagens em alta resolução ou com os filmes convenientemente piratas encontrados pelas internets e pelas esquinas da vida.

Guarde essa palavra: experiência.

Acho essa medida da indústria muito louvável. Mesmo tendo certeza que os motivos pelos quais as pessoas não vão mais ao cinema são outros – o alto custo dos ingressos, a pirataria, a baixa qualidade dos filmes exibidos, para citar apenas alguns – o uso de novas tecnologias é sempre importante e um bom chamariz para o público, mesmo que a curto prazo. Mas, como eu disse acima, não acredito que essa tecnologia seja o cálice sagrado, a última Coca-Cola do deserto do negócio de salas de cinema. Acho que há muitos outros caminhos, e quero aproveitar e deixar uma idéia no ar que não requer firulas tecnológicas e que realmente poderia oferecer novas possibilidades.

Hoje todos vêem as salas de cinema apenas como um local para se exibir, bem, filmes. Duh. Pare um minutinho e imagine: você iria ao cinema para assistir uma season finale de Lost, por exemplo? Ou que tal assistir ao vivo a uma partida de futebol em plena Copa do Mundo (sem a narração ufanista descontrolada do Galvão Bueno, claro)? Ou assisitr a um show ao vivo que esteja acontecendo em outra cidade, ou em outro país? Tela gigante e imagem em alta definição, conforto de cadeiras, som surround… Imaginou?

Para mim, ver um filme no cinema é uma “experiência” diferente do que ver um filme em DVD, ou ver um filme baixado no computador, ou ver um filme no celular ou em um PSP. Agora substitua “filme” por “séries de tv” ou “desenhos animados” ou até mesmo por “games” (alguém consegue se imaginar jogando um Zelda, um Super Mario, um God of War ou um H.A.L.O. em um telão de cinema? Eu até sonho com isso, se bem que não consigo imaginar a logística para tal… :-) ). Como impedir que o conteúdo seja duplicado hoje é praticamente impossível e uma luta inglória, e com cada vez mais opções para se consumir esse conteúdo, é preciso valorizar o que cada mídia tem de melhor. As salas de cinema oferecem, a meu ver, uma imersão muito maior do que a TV ou o computador, o que dirá do celular. Ali, no escurinho, você é praticamente puxado para aquele universo de fantasia que se passa à sua frente (isso quando aquele bando de adolescentes não te traz de volta ao mundo real na marra!). Uma mudança de conceito, uma mudança no modelo de negócios: Cobre pela experiência, não pelo conteúdo. A série/partida de futebol/show vai passar de graça na TV, e com certeza estará disponível na internet. Mas ver no cinema não tem preço. Bom, na verdade, tem sim. :-) Exclusividade é uma experiência, assim como a conveniência, e experiências assim podem ser cobradas.

Claro que há aspectos técnicos necessários para viabilizar esse novo modelo, como a instalação de projetores digitais nas salas e um grande trabalho de divulgação. Questão de tempo, a meu ver. Oferecer conteúdo diferenciado aumentaria a opção de escolha do público, aumentando o fluxo de pessoas à salas. Sem falar que as grandes produtoras precisariam melhorar a qualidade de seus filmes, já que haveria concorrência no único reduto ainda exclusivo dos filmes.

O fato é que nada do que eu disse acima é novo: lá pelos idos de 1930 e 40, os cinemas exibiam curtas metragens, animações e os famosos boletins de notícias. Então não me venham falar que isso é uma afronta, que cinema é lugar só de filme e afins, hein? :-)

Gostaria muito de saber a opinião de quem visita o Animartini sobre isso, pois acho que é assunto para uma looooonga discussão. Por isso, comentem, comentem. :-)

PS.: Voltando rapidamente ao tema inicial, tenho muita vontade de ver um filme em 3-D. Dizem que não é tão incômodo quanto antigamente. Deve ser verdade, porque as salas têm se multiplicado não só nos EUA, mas aqui no Brasil também.

BILL MELÉNDEZ: morreu a voz e a alma do Snoopy e do Woodstock

O mexicano José Cuauhtemoc “Bill” Meléndez morreu na terça-feira, dia 02 de setembro, aos 91 anos. Ele estava internado no St. John’s Hospital, em Santa Monica, Califórnia.

Se você é fã de animação vai se lembrar rapidamente do nome de Melendez e de seu trabalho fenomenal como diretor e produtor não apenas do clássico O Natal de Charlie Brown (A Charlie Brown Christmas), mas de todos os curtas animados especiais de fim de ano da turminha criada pelo cartunista Charles M. Schulz. Sem falar que Melendez também fazia a “voz” do cachorrinho Snoopy e do passarinho Woodstock, aqueles grunhidos que todo mundo conhece.

Só por isso Bill Meléndez já teria seu cantinho reservado no grande panteão dos mestres da animação, mas ele foi além. Você sabia que ele se formou na Chouinard Art Institute, que mais tarde se tornaria a conceituada CalArts, a California Institute of the Arts? Você também sabia que Melendez foi contratado por Walt Disney em 1938 e trabalhou animando longas metragens clássicos como Bambi, Fantasia, Pinóquio e Dumbo, sem falar em curtas do Mickey Mouse e do Pato Donald? E ainda tem mais: após sair da Disney, ele se juntou á equipe do mestre Leo Schlesinger na Warner Bros. e trabalhou com Bob Camplett, Art Davis e Robert MacKimson em diversos curtas do Pernalonga, do Patolino e do Gaguinho (curtas como Wabbit Twouble, Mouse Menace, What Makes Daffy Duck e What’s Up, Doc foram produzidos por Meléndez).

Mas é do Snoopy e do Charlie Brown que sempre me lembrarei ao falar de Meléndez. A animação da turma do Minduim, acompanhada pela trilha sonora espetacular criada por Vince Guaraldi, é de tamanha criatividade e beleza que chega a doer. Bill era o único animador que o criador do Snoopy permitia que trabalhasse com seus personagens, o que deve ter um grande valor. :-)

O animador e diretor deixa sua esposa Helen, dois filhos (Steven Melendez e o almirante da Marinha Rodrigo Melendez), seis netos e 11 bisnetos.

Mais um mestre que se vai. :-(

Via Ain´t it Cool e The Hollywood Report.

PRODUTORAS E CURSOS DE ANIMAÇÃO NO GOOGLE MAPS: atualização contém doze novas produtoras e uma escola

As atualizações aqui no Animartini continuam um tanto quanto erráticas, mas é só questão de tempo até as coisas voltarem ao normal. :-) Enquanto isso, consegui atualizar rapidamente o mapa das produtoras/cursos lá no Google Maps.

As contempladas dessa vez foram a Animatus Animation Studios (SP), a Amazing Graphics (PR), a Flamma Films (SP), a TV Pinguim (SP), a Quadro Vermelho Produções (RJ), a Digital 21 (SP), a Pixpost (SP), a Cartunaria (RS), a Tribbo (SP), a MarcaEmpreendimentos (MG), a Rocambole Produções (SP), o Poeira Estúdios (BH) e a Art&Cia Cursos (AM).

Veja no mapa abaixo:

Exibir mapa ampliado
E ainda tem muitas mais na fila. Em breve, novas produtoras e novos cursos aparecerão no mapa. ;-)