Um ensaio inicial sobre “experiência”
Set 24th, 2008 by Paulo Martini

Estou de volta, pessoas. Sem blablablá, e direto ao ponto.
Jeffrey Katzenberg, a mente criativa (?) por trás da Dreamworks Animation e sem noção-mor, declarou que os filmes exibidos em stereoscopic (também conhecido como tridimensional ou 3-D - não confudir com filmes em CGI) serão o futuro da indústria cinematográfica, a terceira grande revolução (após o som e a cor) que fará com que as pessoas voltem a freqüentar os cinemas como antigamente. “Our lives are going to be forever changed. Because this is the future for us.”
Katzenberg é, como diria o Capitão Nascimento, um fanfarrão. Pessoalmente, acho que ele está exagerando (como sempre), e olha que eu não vi nenhum desses filmes em 3-D dessa nova safra até agora, como Viagem ao Centro da Terra, Hanna Montana & Miley Cyrus: O Melhor dos Dois Mundos e U2 Live, por exemplo. Ainda assim, note como tem saído cada vez mais filmes utilizando essa tecnologia, algo que muita gente já tinha dado como morta desde a década de 80, e grandes veículos de mídia abordam o assunto com mais e mais freqüência. A indústria cinematográfica fazendo das tripas coração para atrair aquele público desgarrado, que têm fugido feito diabo da cruz ano após ano das salas de cinema, tentando oferecer uma experiência nova e exclusiva que não pode ser conseguida com as grandes telas de LCD de imagens em alta resolução ou com os filmes convenientemente piratas encontrados pelas internets e pelas esquinas da vida.
Guarde essa palavra: experiência.
Acho essa medida da indústria muito louvável. Mesmo tendo certeza que os motivos pelos quais as pessoas não vão mais ao cinema são outros - o alto custo dos ingressos, a pirataria, a baixa qualidade dos filmes exibidos, para citar apenas alguns - o uso de novas tecnologias é sempre importante e um bom chamariz para o público, mesmo que a curto prazo. Mas, como eu disse acima, não acredito que essa tecnologia seja o cálice sagrado, a última Coca-Cola do deserto do negócio de salas de cinema. Acho que há muitos outros caminhos, e quero aproveitar e deixar uma idéia no ar que não requer firulas tecnológicas e que realmente poderia oferecer novas possibilidades.
Hoje todos vêem as salas de cinema apenas como um local para se exibir, bem, filmes. Duh. Pare um minutinho e imagine: você iria ao cinema para assistir uma season finale de Lost, por exemplo? Ou que tal assistir ao vivo a uma partida de futebol em plena Copa do Mundo (sem a narração ufanista descontrolada do Galvão Bueno, claro)? Ou assisitr a um show ao vivo que esteja acontecendo em outra cidade, ou em outro país? Tela gigante e imagem em alta definição, conforto de cadeiras, som surround… Imaginou?
Para mim, ver um filme no cinema é uma “experiência” diferente do que ver um filme em DVD, ou ver um filme baixado no computador, ou ver um filme no celular ou em um PSP. Agora substitua “filme” por “séries de tv” ou “desenhos animados” ou até mesmo por “games” (alguém consegue se imaginar jogando um Zelda, um Super Mario, um God of War ou um H.A.L.O. em um telão de cinema? Eu até sonho com isso, se bem que não consigo imaginar a logística para tal…
). Como impedir que o conteúdo seja duplicado hoje é praticamente impossível e uma luta inglória, e com cada vez mais opções para se consumir esse conteúdo, é preciso valorizar o que cada mídia tem de melhor. As salas de cinema oferecem, a meu ver, uma imersão muito maior do que a TV ou o computador, o que dirá do celular. Ali, no escurinho, você é praticamente puxado para aquele universo de fantasia que se passa à sua frente (isso quando aquele bando de adolescentes não te traz de volta ao mundo real na marra!). Uma mudança de conceito, uma mudança no modelo de negócios: Cobre pela experiência, não pelo conteúdo. A série/partida de futebol/show vai passar de graça na TV, e com certeza estará disponível na internet. Mas ver no cinema não tem preço. Bom, na verdade, tem sim.
Exclusividade é uma experiência, assim como a conveniência, e experiências assim podem ser cobradas.
Claro que há aspectos técnicos necessários para viabilizar esse novo modelo, como a instalação de projetores digitais nas salas e um grande trabalho de divulgação. Questão de tempo, a meu ver. Oferecer conteúdo diferenciado aumentaria a opção de escolha do público, aumentando o fluxo de pessoas à salas. Sem falar que as grandes produtoras precisariam melhorar a qualidade de seus filmes, já que haveria concorrência no único reduto ainda exclusivo dos filmes.
O fato é que nada do que eu disse acima é novo: lá pelos idos de 1930 e 40, os cinemas exibiam curtas metragens, animações e os famosos boletins de notícias. Então não me venham falar que isso é uma afronta, que cinema é lugar só de filme e afins, hein?
Gostaria muito de saber a opinião de quem visita o Animartini sobre isso, pois acho que é assunto para uma looooonga discussão. Por isso, comentem, comentem.
PS.: Voltando rapidamente ao tema inicial, tenho muita vontade de ver um filme em 3-D. Dizem que não é tão incômodo quanto antigamente. Deve ser verdade, porque as salas têm se multiplicado não só nos EUA, mas aqui no Brasil também.
Leia também:- iPhone 3G é anunciado oficialmente. E isso tem tudo a ver com animação!
- Crítica - STEAL THIS FILM: propriedade intelectual é o petróleo do século 21
- OSCAR 2008: comentários sobre a festa!
- MOCAP: não, não é animação. Mas eu posso, então eu faço.
















eu não consigo imaginar assistir a alguma coisa no cinema que não seja um filme ou curta metragem..
bem.. talvez um show seria uma boa hehe
bem.. eu acho que o problema do cinema é isso, a mesmice
a gente vê uma enxurada de blockbusters, mas nenhum deles traz experiências únicas
um bom exemplo é o publico fiel às animações da pixar, nenhum deles deixa de ir ao cinema se encantar com o espaço de wall.e
(por experiência própria até hoje me arrependo de não ter visto procurando nemo no cine)
Olá, Jonathan, tudo certo contigo?
Eu entendo essa sua aversão inicial, isso é comum. Mas volte algumas décadas e veja que as pessoas não tinham costume de ver filmes fora do cinema. Mas aí surgiu a tv, o computador e esse tal de celular (algo que eu acho um absurdo, mas o que há de se fazer? Tem gente que gosta…).
E como fã da Pixar - e também da Disney - não perco nenhum dos lançamentos da Casa do Luxo Jr e do Mickey nos cinemas. Mas não acredito que apenas o fato do filme ser realmente bom é suficiente para atrair as pessoas de volta às salas hoje em dia. Depende de muitas coisas: distribuição, divulgação maciça, conveniência, marcas conhecidas… e nem sempre isso tudo dá certo. Veja o exemplo do filme Speed Racer. Eu não sei qual sua opinião sobre a história, mas pessoalmente gostei bastante da empreitada, e olha que eu nunca fui fã da série animada clássica. O filme tinha uma marca forte, diretores e atores de renome, efeitos visuais diferentes… e ainda assim levou bomba nas bilheterias.
bem , eu ainda não assisti speed racer, lembro-me que gostava moderadamente do desenho embora a muito tempo não assista
estou curioso pra assistir este filme, eu saberia que seria no minimo legal depois que assisti ao trailer, mas depois de muitos elogios da critica de alguns amigos meus é algo que pretendo em breve conferir
o alto preço dos ingressos é pra mim praticamente o principal obstáculo, eu acho que no fundo muita gente ainda quer ir mas a experiência ainda não está valendo a pena
esse ano tivemos um caso legal, que foi o the dark knight, mas mesmo assim é um caso extremo, foi um filme que apostou maciçamente em propaganda, sua extrema qualidade de certa forma ajudou já que foi um filme que pude perceber ter causado muita porpaganda boca-a-boca, fora aquelas cinéfilos chatos que assistiram ao filme várias vezes(nisso entra eu haushau, bom, assisti duas, e não fui a terceira vez por conta de falta de tempo, mas conheço quem o tenha feito umas 5 vezes)
fora que a sua tão alta bilheteria a ponto de ser situada entre as maiores da história se deve mais ao preço dos ingressos que própriamente dos números de bilhetes vendidos
de volta à speed racer, eu tb não entendi porque a bilheteria foi tão baixa, desde quando vi o trailer achei que estaria diante de um blockbuster de respeito(não em questão de qualidade no caso e sim de valor em bilheteria)
sobre os lançamentos 3D, eu gostaria muito de ver como seria um filme que desde o início foi imaginado para as telas 3D como a nova animação da dreamworks MONSTROS VS ALIENS
Pois é, não deixe de assistir a Speed Racer. É diversão pura, e de qualidade.
E sim, o preço dos ingressos é um dos grandes obstáculos. Toda essa confusão em torno da meia entrada para estudantes piorou muito o quadro. O fato de você ter citado BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS é bem interessante, pois tirando o fato do marketing ter sido maciço e muito criativo, o morcego é cultura pop. Quero dizer, o personagem é popular pacas, independente da faixa etária, e em muitos países. Claro que ajudou bastante o filme ser espetacular.
E esse é um detalhe importante: o cinema precisa de temas populares. Claro que os temas mudam de país para país - acaba mudando até de cidade para cidade, entre grupos de amigos - mas é só lembrar de filmes como DOIS FILHOS DE FRANCISCO e TROPA DE ELITE para notar que alguns filmes conseguem ser bons e cair no gosto popular, atraindo grande público (SE EU FOSSE VOCÊ e MEU NOME NÃO É JOHNNY também atraíram um bom público mas, como não vi esses dois, não vou dizer se são bons ou não).
E para terminar, também estou tendo boas expectativas para MONSTERS VS. ALIENS. Vi algumas artes conceituais e parece que o filme vai ser bem divertido. Se eu puder ver em 3D então, melhor.
Abraços, Jonathan, e continue visitando o Animartini.
só pra concluir um raciocínio sobre monstros vs aliens
eu citei o fato dele desde o início der imaginado como um filme para exibição 3D, mas esqueçi de ressaltar que esses filme me parece ser a coisa mais refinada que a dreamworks fará/fez (tirando a série shrek)
todo o design dos personagens, a sinopse, o plano de homenagear filmes antigos de monstros, tudo parece dar em um filme muito criativo
e sobre a dreamwrks, acho que o estúdio está tendo potencial pra evoluir, espero muito o que o extremamente criativo Cris Sanders anda fazendo por lá também
abração e parabéns pelo site, seus artigos são ótimos
Concordo com você sobre o MONSTERS VS. ALIENS, Jonathan. Tirando o fato que eu não acho Shrek nada refinado… na verdade, acho um character design sem personalidade alguma.
E sim, os projetos do Chris Sanders são os que eu estou mais esperando. Será que o character design será dele?? Espero que sim. Com o Dean DeBlois na co-direção, então, ninguém segura.
E obrigado mesmo pelos elogios.