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Os Simpsons suspenso na Venezuela por potencial ameaça às crianças?

Vi essa no Blue Bus, de onde peguei emprestado até o título, de uma notícia da Reuters.
Pois é. Não vou fazer um texto monstruoso para deixar claro minha opinião sobre o assunto. No lugar, gostaria de levantar três pontos que resumem o que eu penso:
1- Desde quando – e quero dar bastante ênfase nisso – Os Simpsons é para crianças? Só por quê é desenho animado? Ok, vamos importar quilos de hentai e passar sábado de manhã, então, se o caso é esse. O engraçado é lembrar que a Globo começou no dia 7 de abril de 2008 a passar “Os Simpsons” na TV Globinho. Patético.
2- “Os Simpsons” ameaça crianças. Entendi. Ã-ham. Ok. Que nem videogames, né? E música? Ainda bem que temos os pais e a religião para salvar nossas vidas, e que vêm fazendo um ótimo trabalho até agora:
3- E para terminar: putz grila, colocar S.O.S. Malibu no lugar? Por que não lobotomizar todas as crianças? Ah, é verdade, sai mais barato e ainda dá lucro…
UPDATE: Li no G1 que, depois de toda essa papagaiada, eles voltaram atrás na decisão e irão continuar a exibir a série por lá. No horário nobre. Uau. Essa foi difícil, hein? E a própria Globo continua passando o desenho na TV Globinho. Como eu li hoje no site Jbox, “resta saber até quando o Ministério da Justiça vai deixar o Homer em paz”. Exatamente.
OSCAR 2008: comentários sobre a festa!

Virge, faz quase um mês que eu não escrevo aqui? Como assim?? Poutz, tenho muita coisa para colocar em dia.
Bom, isso eu resolvo na semana que está por vir; agora, vamos falar da festança do OSCAR, que começou ontem às 22h30 (horário de Brasília) e se arrastou até hoje de madrugada, terminando lá pelas 1h35.
Veja a lista completa dos vencedores no site oficial, clicando aqui.
De maneira geral, a festa foi muito bacana. Assisti pela TNT, e fiquei feliz em notar que a tradutora conseguiu fazer um ótimo trabalho, mesmo que eu ache uma chatice essa coisa de tradução ao vivo (cadê a opção de assistir só com o som original?), mesmo que eu não lembre o nome da moça, peço desculpas por não dar o crédito devido. O Rubens Ewald Filho fazendo os comentários deu uma senhora aula de cinema, mesmo falando uma besteirinha aqui e outra ali.
Bom, resumindo, o que eu achei de relevante (ou não):
- Ratatouille ter ganho o prêmio de Melhor Longa Metragem Animado foi sensacional, mas mais que esperado. Pena que, das cinco categorias nas quais concorria, essa foi a única em que o espetacular filme do diretor Brad Bird levou;
- Pelamordedeus, o que raios foi essa de dar o prêmiom de Melhor Música Original para Falling Slowly, aquela musiquinha insossa de Glen Hansard e Marketa Irglova, pelo filme Once? Façam-me o favor, simplesmente patético!
- Diablo Cody pode ter roubado o Oscar de Melhor Roteiro Original do Bird, Jan Pinkava e do Jim Capobianco, mas foi merecido, sem dúvida. Além disso, Ver Cody é sempre um deslumbre, ô mulher linda.. ![]()
- Pára tudo: Transformers não levou o prêmio de Melhor Efeito Visual? Qualé? Essa eu achei palhaçada. Tudo bem, tudo bem, não queria dar para “Transformers”? Na boa, que a estatueta fosse para Piratas do Caribe: No Fim do Mundo. Agora, aquela bomba do A Bússola de Ouro levar um prêmio desses? Piadinha de mau gosto…
- Javier Bardem levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Onde os Fracos Não Têm Vez. Sensacional. E ai se ele não levasse… ![]()
- A cara de surpresa da Tilda Swinton ao ouvir seu nome como Melhor Atriz Coadjuvante: não tem preço. ![]()
- Jon Stewart estava ótimo apresentando a festa: “Temos duas grávidas aqui na festa, Jessica Alba e Cate Blanchett. Bom, mas como Jack Nicholson está aqui, esse número pode aumentar até o fim da noite”. Impagável! ![]()
- Melhor Curta de Animação foi para Peter & the Wolf. Não vi até agora, preciso achar uma maneira de ver…
E foi isso. Abraços para Paulo Maffia, o Grande, que me recebeu em sua casa mesmo sabendo que eu sempre falo alto pacas e com certeza possa ter acordado a vizinhança inteira. E o Bruno, o Benício d’A ARCA, que tá sempre por perto e levou sorvete de chocolate. Cara, tu é gênio.
Agora acabou. Mais, só amanhã. ^_^
MOCAP: não, não é animação. Mas eu posso, então eu faço.

Nesse sábado, li um artigo no site AWN escrito pelo grande Gene Deitch. Para quem nunca ouviu falar, o animador, hoje com 83 anos, já trabalhou em estúdios como UPA, Terrytoons, MGM (onde produziu diversas animações da dupla Tom e Jerry) e Paramout. No artigo, entitulado “Yes, but is it animation?“, Deitch fala sobre um tema citado sempre com grande ojeriza pelos animadores, o MOCAP.
MOCAP é a contração de “motion capture”, ou captura de movimento, em tradução livre. Essa técnica, utilizada atualmente em grandes filmes e também na publicidade, se resume em gravar os movimentos de um ator – que veste
uma roupa com sensores que identifica e captura toda a dinâmica – e transferí-los para um computador, que identifica a informação deixando pronto uma base de movimentos que podem ser inseridos em qualquer personagem 3D, substituindo a necessidade de se animar este personagem pelas técnicas tradicionais.
No artigo, Deitch deixa clara sua opinião sobre o processo, deixando claro que, para ele, essa técnica não irá acabar com os animadores (e eu acredito, mesmo sem ele ter citado, que isso impacte também nos atores e atrizes), mas irá eliminar a criatividade e a imaginação do processo de animação. Como estopim do assunto, ele cita o filme Beowulf, dirigido por Robert Zemeckis, que utiliza essa técnica aplicada a imagens que tentam recriar seres humanos com perfeição, mas o máximo que conseguem é produzir manequins. Houve até um certo bafafá entre os animadores estadunidenses quando o OSCAR considerou o filme para a categoria MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO.
Lembro de vários jornais e revistas chamando o filme de “revolucionário” e “o futuro do cinema”. Balela. Pessoalmente, acho que o MOCAP tem sua serventia, sim: ser utilizado como uma ferramenta de suporte, exclusivamente para efeitos especiais e para evitar alguma cena que seja muito perigosa (para não dizer impossível) para o dublê. Exemplos que vêm à mente que utilizaram muito bem o MOCAP são a trilogia O Senhor dos Anéis e o King Kong, ambos do diretor Peter Jackson. Na prática, essa busca incessante em recriar um ser humano de maneira ultra-fiel utilizando 3D é até interessante, e se aplica ao que eu disse acima sobre efeitos especiais. Mas não vejo o porquê utilizar isso como base criativa para um filme ou uma série de tv. Para quê imitar um Anthony Hopkins ou um Ray Winstone ou uma Angelina Jolie quando você pode ter O PRÓPRIO ATOR? A resposta, a meu ver, é simples: “porque eu posso”.
Quando digo eu, quero dizer o próprio Zemeckis, repetindo para si mesmo ao se olhar no espelho. Mesmo depois daquela atrocidade conhecida como O Expresso Polar. Animação não é apenas uma maneira de criar coisas. Como o mestre Chuck Jones disse, “animação não é a ilusão da vida. Animação é vida”. Vida não é só imitar fielmente os movimentos humanos, ou ter uma pele tão detalhada onde se possa ver os poros. Por isso que o Pernalonga e o Mickey são muito mais humanos do que o Beowulf de Zemeckis ou a Dra. Aki Ross de Final Fantasy: The Spirits Within. Beowulf, no final, acaba se tornando um filme desnecessário: descartável, vazio, falso, mesmo que o roteiro não seja assim tão ruim. Pessoalmente, tremo nas bases ao saber que um filme utiliza MOCAP.
Deitch termina o artigo falando que devemos parar de categorizar os filmes pela técnica empregada, e analisar se eles têm uma história que realmente valha a pena ser contada, e se é bem contada. Concordo totalmente – ainda mais com filmes como Happy Feet e A Casa Monstro, mas será que dá para substituir os manequins por personagens mais humanos? Tipo um ratinho cozinheiro em Paris, ou até mesmo um esquilo neurótico por noz? No final, vão acabar culpando o pessoal de casting…



