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STEAMBOAT WILLIE: há 80 anos nascia o áudio definitivo do curta

Em 30 de setembro de 1928, Walt Disney supervisionou a gravação do áudio que seria utilizado no terceiro curta-metragem estrelado pelo camundongo Mickey Mouse. Utilizando a tecnologia Cinephone System, de Pat Powers (uma cópia descarada do sistema criado por Lee De Forest, o Phonofilm), Steamboat Willie seria a primeira animação da história a apresentar uma faixa de áudio contendo música, efeitos sonoros e diálogos totalmente sincronizados. A primeira gravação, realizada duas semanas antes, acabou sendo inviável e foi descartada.

Considerado a primeira animação a ter uma faixa de áudio totalmente sincronizada, “Steamboat Willie” é um marco, sem dúvida nenhuma, mas outras animações já haviam se aventurado nessa nova tecnologia – como a série Song Car-Tunes, de Max Fleischer, gravado no sistema Phonofilm lançado em maio de 1924, e que incluía o curta My Old Kentucky Home (1926); e o curta Dinner Time (lançado em 1º de setembro de 1928), de Paul Terry - só que sem os mesmos resultados técnicos.

Totalmente animado pelo mestre Ub Iwerks, “Steamboat Willie” foi dirigido pelo próprio Disney e é uma paródia do filme Steamboat Bill Jr., do ator, roteirista e diretor Buster Keaton. É considerado a 13ª melhor animação de todos os tempos pelo livro The 50 Greatest Cartoons: As Selected by 1,000 Animation Professionals, editado pelo historiador Jerry Beck.

“Steamboat Willie” seria lançado oficialmente seis semanas depois, em 18 de novembro de 1928, no The Colony Theater, em Nova York. E o resto é história. :-)

Quer matar a saudade ou ver o curta pela primeira vez? É só dar play no vídeo abaixo, ou acessar direto o site do Dailymotion:

Via Animation – Who and Where

Um ensaio inicial sobre “experiência”

Estou de volta, pessoas. Sem blablablá, e direto ao ponto. :-)

Jeffrey Katzenberg, a mente criativa (?) por trás da Dreamworks Animation e sem noção-mor, declarou que os filmes exibidos em stereoscopic (também conhecido como tridimensional ou 3-D – não confudir com filmes em CGI) serão o futuro da indústria cinematográfica, a terceira grande revolução (após o som e a cor) que fará com que as pessoas voltem a freqüentar os cinemas como antigamente. “Our lives are going to be forever changed. Because this is the future for us.”

Katzenberg é, como diria o Capitão Nascimento, um fanfarrão. Pessoalmente, acho que ele está exagerando (como sempre), e olha que eu não vi nenhum desses filmes em 3-D dessa nova safra até agora, como Viagem ao Centro da Terra, Hanna Montana & Miley Cyrus: O Melhor dos Dois Mundos e U2 Live, por exemplo. Ainda assim, note como tem saído cada vez mais filmes utilizando essa tecnologia, algo que muita gente já tinha dado como morta desde a década de 80, e grandes veículos de mídia abordam o assunto com mais e mais freqüência. A indústria cinematográfica fazendo das tripas coração para atrair aquele público desgarrado, que têm fugido feito diabo da cruz ano após ano das salas de cinema, tentando oferecer uma experiência nova e exclusiva que não pode ser conseguida com as grandes telas de LCD de imagens em alta resolução ou com os filmes convenientemente piratas encontrados pelas internets e pelas esquinas da vida.

Guarde essa palavra: experiência.

Acho essa medida da indústria muito louvável. Mesmo tendo certeza que os motivos pelos quais as pessoas não vão mais ao cinema são outros – o alto custo dos ingressos, a pirataria, a baixa qualidade dos filmes exibidos, para citar apenas alguns – o uso de novas tecnologias é sempre importante e um bom chamariz para o público, mesmo que a curto prazo. Mas, como eu disse acima, não acredito que essa tecnologia seja o cálice sagrado, a última Coca-Cola do deserto do negócio de salas de cinema. Acho que há muitos outros caminhos, e quero aproveitar e deixar uma idéia no ar que não requer firulas tecnológicas e que realmente poderia oferecer novas possibilidades.

Hoje todos vêem as salas de cinema apenas como um local para se exibir, bem, filmes. Duh. Pare um minutinho e imagine: você iria ao cinema para assistir uma season finale de Lost, por exemplo? Ou que tal assistir ao vivo a uma partida de futebol em plena Copa do Mundo (sem a narração ufanista descontrolada do Galvão Bueno, claro)? Ou assisitr a um show ao vivo que esteja acontecendo em outra cidade, ou em outro país? Tela gigante e imagem em alta definição, conforto de cadeiras, som surround… Imaginou?

Para mim, ver um filme no cinema é uma “experiência” diferente do que ver um filme em DVD, ou ver um filme baixado no computador, ou ver um filme no celular ou em um PSP. Agora substitua “filme” por “séries de tv” ou “desenhos animados” ou até mesmo por “games” (alguém consegue se imaginar jogando um Zelda, um Super Mario, um God of War ou um H.A.L.O. em um telão de cinema? Eu até sonho com isso, se bem que não consigo imaginar a logística para tal… :-) ). Como impedir que o conteúdo seja duplicado hoje é praticamente impossível e uma luta inglória, e com cada vez mais opções para se consumir esse conteúdo, é preciso valorizar o que cada mídia tem de melhor. As salas de cinema oferecem, a meu ver, uma imersão muito maior do que a TV ou o computador, o que dirá do celular. Ali, no escurinho, você é praticamente puxado para aquele universo de fantasia que se passa à sua frente (isso quando aquele bando de adolescentes não te traz de volta ao mundo real na marra!). Uma mudança de conceito, uma mudança no modelo de negócios: Cobre pela experiência, não pelo conteúdo. A série/partida de futebol/show vai passar de graça na TV, e com certeza estará disponível na internet. Mas ver no cinema não tem preço. Bom, na verdade, tem sim. :-) Exclusividade é uma experiência, assim como a conveniência, e experiências assim podem ser cobradas.

Claro que há aspectos técnicos necessários para viabilizar esse novo modelo, como a instalação de projetores digitais nas salas e um grande trabalho de divulgação. Questão de tempo, a meu ver. Oferecer conteúdo diferenciado aumentaria a opção de escolha do público, aumentando o fluxo de pessoas à salas. Sem falar que as grandes produtoras precisariam melhorar a qualidade de seus filmes, já que haveria concorrência no único reduto ainda exclusivo dos filmes.

O fato é que nada do que eu disse acima é novo: lá pelos idos de 1930 e 40, os cinemas exibiam curtas metragens, animações e os famosos boletins de notícias. Então não me venham falar que isso é uma afronta, que cinema é lugar só de filme e afins, hein? :-)

Gostaria muito de saber a opinião de quem visita o Animartini sobre isso, pois acho que é assunto para uma looooonga discussão. Por isso, comentem, comentem. :-)

PS.: Voltando rapidamente ao tema inicial, tenho muita vontade de ver um filme em 3-D. Dizem que não é tão incômodo quanto antigamente. Deve ser verdade, porque as salas têm se multiplicado não só nos EUA, mas aqui no Brasil também.

iPhone 3G é anunciado oficialmente. E isso tem tudo a ver com animação!

Não, você não está acessando o Update or Die, o Digital Drops ou o Gizmodo. :-D

Eu venho mantendo um namoro meio platônico com o aparelhinho sensação da Apple há um bom tempo, mas parece que agora a coisa ficou escancarada: eu quero um. AGORA! :-D

Há apenas algumas horas acabou a apresentação do Steve Jobs (o todo poderoso da Apple, da Pixar e da Disney) onde o iPhone 3G foi apresentado. A segunda geração do celular vem com uma cacetada de inovações, a maioria na parte de software. Quem quiser saber de todos os detalhes é só acessar esse post do Engadget, um dos sites referência de novidades eletrônicas e gadgets afins, onde há um acompanhamento da apresentação item a item, com muitas imagens. O lançamento do novo aparelho está programado para 11 de julho em 22 países simultâneamente. O Brasil não está incluído nessa primeira leva, mas já está confirmado o lançamento aqui em terras brasilis até o fim do (a Claro já havia anunciado a exclusividade do aparelho no Brasil) ! :-D

A minha idéia aqui é falar o que essa notícia pode ajudar em muito o mercado de Animação brasileiro.

Antes de mais nada, alguns dados: o iPhone está liderando uma revolução, principalmente na área de multimídia (vídeo e áudio). Já é fato consumado que um dos grandes mercados a serem explorados em um futuro bem próximo é justamente o mobile. O Brasil tem hoje mais de 120 milhões de aparelhos celulares, e o número está aumentando a passos largos. É mais do que o total de residências com TVs no país – em torno de 50 milhões de residências, considerando a média de dois aparelhos por residência. Os modelos estão oferecendo cada vez mais funcionalidades nessa área e ficando mais e mais baratos (o próprio iPhone de 8GB, que custava lá fora US$ 399, vai dar espaço para o iPhone 3G de 8Gb por apenas US$199, e o de 16Gb por apenas US$ 299; e pensar que o primeiro iPhone custava US$ 599). E apenas um pouco mais de 180.000 iPhones no Brasil são responsáveis por mais de 50% da transmissão de dados via aparelhos celulares hoje no Brasil. O mercado, aqui e no resto do mundo, ainda é gigantesco.

Por mais preparado para multimídia que o iPhone seja, se comparado aos outros aparelhos disponíveis no mercado, ele não é a única plataforma a oferecer serviços assim. Tanto que, nos EUA, o iPhone tem impulsionado a venda até mesmo dos aparelhos smartphones da concorrência, segundo esse artigo da revista Wired. Quer dizer: o sucesso do iPhone – que já vendeu mais de 6 milhões de unidades (mesmo estando oficialmente em apenas 6 países) – é indiscutível, e ainda está ajudando a concorrência. Virge.

Com uma demanda astronômica dessas, um mercado que ainda está testando produtos e modelos de negócios, e com as grandes empresas apostando mais e mais, o conteúdo – seja vídeo, áudio ou games – será um produto cada vez mais requisitado! Eis que vem a pergunta: que tal aproveitar o momento para produzir animações pensando nessa nova plataforma de distribuição de conteúdo? Isso pode ser o que muitas produtoras e animadores estavam esperando para finalmente exibir e vender seu trabalho – e em escala global! :-D

Mesmo assim, de nada adianta ficar admirando as possibilidades: o momento é de produzir, produzir e produzir! A conexão 3G irá permitir downloads muito mais rápidos do que a antiga EDGE.

Tenho certeza que muitos vão lembrar de David Lynch e sua opinião sobre assistir filmes em um celular:

Eu sempre acompanhei Lynch nesse pensamento. Caramba, quem tipo de herege seria eu se assistisse um O Senhor dos Anéis, por exemplo, em uma tela tão pequena? Só poderia ser louco – e tem gente que é, mas há uma demanda, então as grandes produtoras vão aproveitar também. Até aí, beleza; sou da opinião que cada um deve assistir como quiser, mesmo que isso não chegue perto da experiência (volto nesse assunto de “experiência” em um próximo post) de ver numa tela grande ou mesmo numa televisão com várias polegadas. Mas sejamos sinceros: nenhum filme é feito hoje para ser visto em um celular. Ou série de tv, ou qualquer outro formato. Estão vendo onde quero chegar? Criar especificamente para celulares. Com games isso já acontece há alguns anos, pelo menos. E com uma tela como a do iPhone – sim, eu já mexi num deles e realmente fiquei besta com o tamanho e com a resolução – dá para fazer estragos! :-D

A palavra de ordem agora é: produzir! O momento é de experimentação, tanto na área artística quanto na área de negócios – vamos testar novos estilos visuais, vamos testar novos modelos de negócios, vamos colocar a mão na massa!

Falem da TV digital, falem em Chris Anderson, Cauda Longa” e “freeconomics” (também volto a comentar sobre esses assuntos em breve, muito em breve), falem da alta-definição; tudo isso é bacana e relevante, mas tudo isso será puxado pela internet móvel. E aquele que tiver conteúdo bom e barato para oferecer, leva. Por quê não nossas animações? 3G, baby! Afinal, todos nós adoramos odiar esses malditos aparelhinhos – todo muito quer se ver livre deles, mas niguém consegue. Too… damn… addictive… :-D