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FIM DOS TEMPOS: o tempo acabou para Shyamalan

Alguém consegue me explicar o que aconteceu com M. Night Shyamalan? Sério, como é que esse Fim dos Tempos (“The Happening”, 2008) pôde ser lançado assim? Não teve ninguém na Fox que viu a bomba que tinha nas mãos? Em determinado momento da projeção, eu cheguei a comparar com Motoqueiro Fantasma (“Ghost Rider”, aquela coisa absurdamente ruim dirigida pelo Mark Steven Johnson), tamanha a vergonha que eu sentia de estar no cinema vendo algo tão podre.
“Fim dos Tempos” é uma porcaria em tantos níveis que fica difícil apontar todas as falhas absurdas do filme. Mas eis alguns pontos que devem ser citados:
- As atuações estão medíocres. Mark Wahlberg e Zooey Deschanel, que interpretam os personagens principais, parecem completamente perdidos. E olha que Wahlberg concorreu ao Oscar no ano passado por Os Infiltrados. E Deschanel é uma das maiores gracinhas do cinema… mas atua tanto quanto uma porta frente ao caos que está acontecendo;
- O roteiro é terrível. Eu até consigo entender a idéia – algo como se a natureza estivesse se virando contra os seres humanos, depois de anos e anos de devastação – mas a coisa é tão mal conduzida que fica boçal, idiota. Sem falar na atenção que ele dá para assuntos que nada interferem na trama principal, como os problemas conjugais de Whalberg e Deschanel, o papo sobre o anel do sentimento, o casal maluco criador de plantas (que papo foi aquele sobre a forma do cachorro-quente??), a velha senhora perdida no meio do nada, Whalberg conversando com uma planta de plástico… e por aí vai.
- Todos os itens acima levam à péssima direção. Tá, isso já estava claro quando falei do roteiro e da atuação dos atores, mas tudo o que Shyamalan fez em seus outros filmes e que se tornaram suas marcas registradas como o cuidado com a direção de arte, os enquadramentos, as tomadas, nada disso existe nesse filme.
- Até mesmo a trilha sonora de James Newton Howard – que trabalhou em todos os filmes do Shyamalan desde O Sexto Sentido e criou maravilhas como a trilha de Sinais e Corpo Fechado – está fraquíssima.
- Muitos ainda relacionam a obra do Shyamalan às tais “viradas no final”. Primeiro, ele já mostrou que consegue fazer um ótimo filme sem abusar desse recurso (vide “Sinais”). “Fim dos Tempos” não tem virada. Na verdade, ele sequer tem um final. Sabe quando não há uma idéia definida de como a história vai terminar, e simplesmente o diretor decide acabar repentinamente, só pelo fato de que precisa terminar? É o que acontece.
“Fim dos Tempos” parece o trabalho de um diretor qualquer, um pobre coitado que acabou de sair da faculdade, recebe a chance de fazer um longa-metragem sem nunca ter feito um curta sequer. Parece que Shyamalan trocou os pés pelas mãos em todas as etapas de produção, sem ninguém para dizer o que estava errado.
Quem estiver lendo esse texto e pensa em assistir, eu diria para não fazer isso. Espere passar na Globo, ou baixe pela internet, sei lá, mas não gaste dinheiro com isso. Caso algum estúdio dê outra chance para Shyamalan, pode ter certeza que estarei na fila para ver. Ele entregou quatro filmes que, a meu ver, são espetaculares, e um mais ou menos. Mas que ele errou feio com esse Fim dos Tempos, ah, isso ele errou. Feio. Mesmo. Como disse o Capone, do site Ain’t It Cool News, “esse é o tipo de filme que destrói carreiras”. E eu escuto cada vez mais que Shyamalan têm se achado o rei da cocada preta, exigindo controle total sobre suas obras e ficando totalmente avesso a qualquer tipo de crítica. Enquanto ele estava na Disney, Michael Eisner metia o bedelho e ele entregou os filmes que entregou. Ao tentar passar o roteiro de A Dama na Água, a casa do Mickey exigiu que ele mexesse no roteiro e ele não quis. Foi para a Warner, que prometeu liberdade total, e “A Dama…” foi um fracasso de bilheteria. “Fim dos Tempos” será pior que isso.
É muito triste. Eu espero sinceramente que ele faça mais filmes, filmes que mostrem o bom diretor que ele já mostrou ser. Sou grande fã do trabalho do cara. Que esse “Fim dos Tempos” seja apenas um tropeço. Um grande, monstruoso, dolorido e sangrento tropeço, mas nada mais que isso.
Morreu OLLIE JOHNSTON, o último dos Nine Old Men da Disney

E depois de dois dias longe do Animartini, a volta é marcada por uma notícia triste. Corri atrás para confirmar a informação em diversos sites, como o Animated News, Ain’t It Cool News, Cartoon Brew, The Blackwing Diaries, Jim Hill Media, Fórum Animations, e realmente era verdade: Ollie Johnston, o último dos nove grandes animadores que tornaram a animação Disney referência no mundo inteiro, se foi ontem, dia 14 de abril, aos 95 anos. Provavelmente tomou um de seus trens, outra paixão de Ollie, e foi se encontrar com o grande amigo Frank Thomas e com a esposa, Marie.
Se você é fã de animação e não sabe nada sobre Ollie Johnston, pode começar a correr atrás. Johnston e Thomas faziam parte do Nine Old Men (que incluía também Les Clark, Wolfgang Reitherman, John Lounsbery, Eric Larson, Ward Kimball, Milt Kahl e Marc Davis), grupo de animadores que trabalharam diretamente com Walt Disney e fizeram escola com seus trabalhos nos clássicos longas animados capitaneados pelo pai do Mickey Mouse (afinal de contas, o Ub Iwerks é a mãe
). Foram eles que transformaram as visões malucas de Disney em realidade quando o assunto era filmes, criando técnicas e estilo, construindo as bases do que é produzir animação bela, suave, consistente, cativante; isto é, criaram vida, como diria Chuck Jones, outra lenda (que criou a frase “Animation isn’t the illusion of life; it IS life“, que se pode traduzir como “Animação não é a ilusão da vida; é a própria vida“). A Pixar, por exemplo, cria todos os seus clássicos baseados nas lições deixadas por essas lendas. John Lasseter (a mente criativa por trás da Pixar e da Disney, e diretor dos filmes Toy Story, Vida de Inseto e Carros) e Brad Bird (diretor de O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille), fãs declarados do trabalho dos Nove e que tiveram a oportunidade de trabalhar com alguns deles, não cansam de falar da influência deles. Olha só o Brad Bird falando de como Milt Kahl criticou um de seus trabalhos antigos (em inglês):
O bom é saber que o legado dele ainda vive, agora nas mãos de outros mestres como Keane, Bird, Andreas Deja, Andrew Stanton…
UPDATE: O Celbi Pegoraro, do Animation Animagic, fez um artigo muito bacana sobre o animador.
Veja o trailer para cinema da nova animação STAR WARS: THE CLONE WARS

Acessando agora o site Ain’t It Cool News, e cheguei na notícia do primeiro trailer para cinema da animação Star Wars: The Clone Wars.
Esse vídeo ainda não é oficial, e só está disponível no YouTube (veja abaixo) e no site russo Filmweb. Como provavelmente dentro dos próximos minutos o vídeo vai sair do ar, CORRAM!



