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ANIMA MUNDI 2008: o que eu vi, final

Eis a última parte do meu review sobre os curtas do Anima Mundi 2008. Daqui a alguns dias farei um post final sobre o evento, comentando o 3º Anima Fórum. Com vocês, as animações exibidas na sessão CURTAS 1:
:: ONAT HACHAMUTZIN, de Ronen Zhurat | Israel (2006)
A infância na praia e… picles? Um curta autobiográfico, onde a animação é até bem tosquinha, mas que compensa com uma história cativante e nostálgica, muito humor e… picles.
2D.
– Nota: 4
:: OFFICE NOISE, de Mads Johansen, Torben Søttrup, Karsten Madsen e Lærke Enemark | Dinamarca (2008)
Divertida história em produzida em CGI onde um frango estressado têm que lidar com o jeito estabanado do colega de trabalho elefante. Ótimo timing.
– Nota: 4
:: LE JOUR DE GLOIRE…, de Bruno Collet | França (2007)
Stop-motion interessante sobre um homem que se esconde no subsolo, imaginando a inevitável guerra que está para acontecer acima. Mesmo assim, dos trabalhos franceses que tive a chance de ver no festival deste ano, este é o mais fraquinho.
– Nota: 3
:: FRANZ KAFKA INAKA ISHA, de Koji Yamamura | Japão (2007)
Mais um vídeo sem muito sentido. A história original, baseada no conto Um Médico Rural, escrito em 1919 pelo tcheco Franz Kafka, contém toques surrealistas para contar os questionamentos de um médico chamado no meio da noite para tratar de um paciente. Bom, eu não li o conto, por isso não posso falar nada, mas já li A Metamorfose, e “Um Médico Rural” me parece ainda mais neurótico. Deve ser por isso que o curta é tão arrastado e sem sentido. Pelo menos a arte do animador Koji Yamamura é bem interessante, meu único motivo para não dar a menor nota para o curta.
– Nota: 2
:: EN AGOSTO, de Andres Barrientos e Carlos Andres Reyes | Colômbia (2008)
Uau. Fiquei impressionando com esse curta colombiano. Visualmente impressionante, e com uma história interessante sobre o fim dos tempos. Climático e muito bem animado.
2D e CGI.
– Nota: 5
:: GLAGO´S GUEST, de Chris Williams | Estados Unidos (2008)
O segundo curta da Disney no Anima Mundi 2008 (depois de How to Hook Up Your Home Theater, que comentei anteriormente) é de uma simplicidade e beleza espantosa. A trama fala sobre um soldado russo, no meio do nada, recebe uma visita inesperada. Agora é só rezar para que a Disney Brasil exiba o curta nas cópias nacionais de Bolt: Supercão, como vai acontecer lá nos EUA. E que venham mais curtas da Disney!
Veja abaixo um trecho de “Glago´s Guest”, ou clique aqui para assitir no YouTube:
– Nota: 5
ANIMA MUNDI 2008: o que eu vi, parte 1

Depois de ter furado o Anima Mundi em 2007, consegui comparecer em três sessões do evento de 2008, em São Paulo. Farei três posts rápidos sobre os curtas que assisti. Também tive a chance de participar, pela primeira vez, do Anima Fórum, que foi muito bacana.
Sobre isso, farei um post à parte.
A primeira sessão que vi foi a CURTAS 10, na quinta-feira, dia 24, lá no Memorial da América Latina. As notas dadas abaixo, de 1 a 5, seguem o mesmo critério usado pelo festival para votação, e foram exatamente as mesmas notas que eu dei no dia. Os curtas exibidos foram:
:: EDEN, de Hye Won Kim | República da Coréia (2008)
Segundo o site oficial do evento, o animador coreano quis mostrar que o homem é um ser sádico que mata os animais por prazer. Imagens grosseiras, de gosto duvidoso, e uso da técnica de cut-out muito mal feito levaram esse curta direto para o lixo, na minha opinião. Há maneiras mais sutis e inteligentes de se tratar de temas assim. Não gostei nada.
– Nota: 1
:: O TRAMBOLHO, de André Rodrigues | Brasil (2008)
“Um sujeito engraçado, um celular e um ônibus”. É assim que é descrito o curta do brasileiro André Rodrigues no site oficial do Anima Mundi. Com duração de um minuto e quarenta e oito segundos, o que se desenrola são algumas piadas utilizando situações do cotidiano. A animação até que é bem feitinha, mas nada além disso.
– Nota: 3
:: QUIDAM DÉGOMME, de Rémy Schaepman | França (2007)
O que uma ovelha, vivendo no telhado de um prédio, faz com a sanidade de um homem? Essa trama bizonha conta com uma animação bem cuidada, e uma narrativa bem feita.
– Nota: 3
:: YOURS TRULY, de Osbert Parker | Reino Unido (2007)
Um trabalho visual muito interessante, que utiliza cenas de filmes clássicos, fotografias e stop-motion para criar uma história noir. Veja abaixo um trecho do curta no YouTube:
– Nota: 3
:: SENSORIUM, de Karen Acqua e Ken Field | Estados Unidos (2007)
Esse curta é uma daquelas porcarias que me fazem sempre pensar duas vezes antes de ir ao Anima Mundi: vídeos que não dizem nada, que só mostram bolinhas/quadradinhos/objetos/qualquer outra porcaria se mexendo sem sentido na tela. O site do evento descreve esse lixo como “um vocabulário de movimentos visuais abstratos, cada um ligado a uma música específica, é apresentado em combinações cada vez mais complexas, criando uma “trilha sonora” visual”. Resumindo: blablablá BO-RING! Total perda de tempo. Merecia zero, mas a menor nota era 1, então…
– Nota: 1
:: POJAR, Bilyana Ivanova | Bulgária (2007)
A animação é tão tosquinha, a narrativa é tão infantil e a situação é tão delirante que o curta parece ter sido feito em uma oficina de animação. Dois ou três momentos que incitam uma risadinha nervosa, de canto de boca. E só.
– Nota: 2
:: BERNIE´S DOLL, de Yann Jouette | França (2008)
Bizarro, mas no bom sentido. Bernie é um empregado em uma fábrica de comida para animais. Solitário e introvertido, decide comprar um “kit mulher do terceiro mundo” para acabar com a solidão. A animação é em 3D e o conceito visual é caótico, dark, disforme; lembra um pouco colagem de fotos. Você termina de ver o curta e se sente mais triste consigo mesmo. Ainda assim, muito interessante.
– Nota: 4
:: DOSSIÊ RÊ BORDOSA, de César Cabral | Brasil (2008)
Simplesmente hilário!
Para mim, foi a melhor transposição do universo de personagens criado pelo cartunista Angeli para outra mídia. É verdade, gostei muito da modelagem dos personagens (a escolha do stop-motion foi genuial) e o estilo “mockumentary”, isto é, um falso documentário, sobre o que teria feito o artista matar sua personagem e cria mais famosa, a Rê Bordosa. A minha única ressalva é técnica: eu entendo que custo e tempo devem ter pesado na decisão, claro, mas poderia haver mais quadros por segundo para deixar a animação mais fluida (em especial o lip sync), pois a interpretação e os gestuais dos personagens estão ótimos! Alguém aí pensa em fazer uma série, ao estilo Harvey Birdman: Attorney at Law, com episódios de 11 minutos em stop-motion com os personagens do Angeli? E com os do Laerte? Hein? Hein?
E aproveitando a deixa, descobri um pequeno making-of onde o diretor do curta, César Cabral, fala sobre a produção, direto no YouTube:
– Nota: 5



