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Morreu OLLIE JOHNSTON, o último dos Nine Old Men da Disney

3 Comments | This entry was posted on abr 15 2008

Ollie Johnston

E depois de dois dias longe do Animartini, a volta é marcada por uma notícia triste. Corri atrás para confirmar a informação em diversos sites, como o Animated News, Ain’t It Cool News, Cartoon Brew, The Blackwing Diaries, Jim Hill Media, Fórum Animations, e realmente era verdade: Ollie Johnston, o último dos nove grandes animadores que tornaram a animação Disney referência no mundo inteiro, se foi ontem, dia 14 de abril, aos 95 anos. Provavelmente tomou um de seus trens, outra paixão de Ollie, e foi se encontrar com o grande amigo Frank Thomas e com a esposa, Marie. :-)

Se você é fã de animação e não sabe nada sobre Ollie Johnston, pode começar a correr atrás. Johnston e Thomas faziam parte do Nine Old Men (que incluía também Les Clark, Wolfgang Reitherman, John Lounsbery, Eric Larson, Ward Kimball, Milt Kahl e Marc Davis), grupo de animadores que trabalharam diretamente com Walt Disney e fizeram escola com seus trabalhos nos clássicos longas animados capitaneados pelo pai do Mickey Mouse (afinal de contas, o Ub Iwerks é a mãe :-) ). Foram eles que transformaram as visões malucas de Disney em realidade quando o assunto era filmes, criando técnicas e estilo, construindo as bases do que é produzir animação bela, suave, consistente, cativante; isto é, criaram vida, como diria Chuck Jones, outra lenda (que criou a frase “Animation isn’t the illusion of life; it IS life“, que se pode traduzir como “Animação não é a ilusão da vida; é a própria vida“). A Pixar, por exemplo, cria todos os seus clássicos baseados nas lições deixadas por essas lendas. John Lasseter (a mente criativa por trás da Pixar e da Disney, e diretor dos filmes Toy Story, Vida de Inseto e Carros) e Brad Bird (diretor de O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille), fãs declarados do trabalho dos Nove e que tiveram a oportunidade de trabalhar com alguns deles, não cansam de falar da influência deles. Olha só o Brad Bird falando de como Milt Kahl criticou um de seus trabalhos antigos (em inglês):

Ollie animou cenas clássicas, como aquela em que Pinóquio conta uma mentira para a Fada Azul, e as cenas com o Bambi bebê. Junto com o amigo Frank Thomas – uma parceria que é lembrada não apenas pelos grandes trabalhos produzidos em parceria, masprincipalmente pela amizade entre os dois, amizade essa que conhecidos e familiares dos dois não conseguiam descrever em palavras – Ollie animou o Panchito em Os Três Cavaleiros e dirigiu sequências animadas que moldaram forma e movimento de personagens como Baloo, Baghera, Mowgli e da Garota em Mowgli, o Menino-Lobo; dos penguis garçons de Mary Poppins; de Pongo, Perdita, da Babá de daquela renca de filhotinhos em 101 Dálmatas, entre muitos outros trabalhos (veja a lista completa dos trabalhos aqui).Duvida? Veja o mestre Glen Keane falando do trabalho de Johnston:

Eu, um aprendiz e estudioso desse universo animado, fico triste em dizer que ainda conheço pouco sobre Johnston e os Oito. Estou colocando muitas leituras em dia. Mesmo assim, desde que comecei a me interessar realmente por este universo maravilhoso, e da minha eterna paixão pela Disney, o nome de Frank Thomas e Ollie Johston eram o que mais apareciam – junto com Ward Kimball, Milt Kahl e Wolfgang Reitherman. Nesse momento eu me lembro do Thiago El Cid, que sonhava em um dia conhecer pessoalmente o mestre Will Eisner, eu também sonhava em conhecer Frank Thomas, Chuck Jones e, claro, Ollie Johnston.Mas aí eu perdi o horário e o trem partiu. É a vida.

O bom é saber que o legado dele ainda vive, agora nas mãos de outros mestres como Keane, Bird, Andreas Deja, Andrew Stanton

UPDATE: O Celbi Pegoraro, do Animation Animagic, fez um artigo muito bacana sobre o animador.

OSCAR 2008: comentários sobre a festa!

0 Comments | This entry was posted on fev 25 2008

Ratatouille ganha o Oscar de Melhor Longa Animado!
Virge, faz quase um mês que eu não escrevo aqui? Como assim?? Poutz, tenho muita coisa para colocar em dia. :-) Bom, isso eu resolvo na semana que está por vir; agora, vamos falar da festança do OSCAR, que começou ontem às 22h30 (horário de Brasília) e se arrastou até hoje de madrugada, terminando lá pelas 1h35.

Veja a lista completa dos vencedores no site oficial, clicando aqui.

De maneira geral, a festa foi muito bacana. Assisti pela TNT, e fiquei feliz em notar que a tradutora conseguiu fazer um ótimo trabalho, mesmo que eu ache uma chatice essa coisa de tradução ao vivo (cadê a opção de assistir só com o som original?), mesmo que eu não lembre o nome da moça, peço desculpas por não dar o crédito devido. O Rubens Ewald Filho fazendo os comentários deu uma senhora aula de cinema, mesmo falando uma besteirinha aqui e outra ali.

Bom, resumindo, o que eu achei de relevante (ou não):
- Ratatouille ter ganho o prêmio de Melhor Longa Metragem Animado foi sensacional, mas mais que esperado. Pena que, das cinco categorias nas quais concorria, essa foi a única em que o espetacular filme do diretor Brad Bird levou;
- Pelamordedeus, o que raios foi essa de dar o prêmiom de Melhor Música Original para Falling Slowly, aquela musiquinha insossa de Glen Hansard e Marketa Irglova, pelo filme Once? Façam-me o favor, simplesmente patético!
- Diablo Cody pode ter roubado o Oscar de Melhor Roteiro Original do Bird, Jan Pinkava e do Jim Capobianco, mas foi merecido, sem dúvida. Além disso, Ver Cody é sempre um deslumbre, ô mulher linda.. :-)
- Pára tudo: Transformers não levou o prêmio de Melhor Efeito Visual? Qualé? Essa eu achei palhaçada. Tudo bem, tudo bem, não queria dar para “Transformers”? Na boa, que a estatueta fosse para Piratas do Caribe: No Fim do Mundo. Agora, aquela bomba do A Bússola de Ouro levar um prêmio desses? Piadinha de mau gosto…
- Javier Bardem levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Onde os Fracos Não Têm Vez. Sensacional. E ai se ele não levasse… :-D
- A cara de surpresa da Tilda Swinton ao ouvir seu nome como Melhor Atriz Coadjuvante: não tem preço. :-D
- Jon Stewart estava ótimo apresentando a festa: “Temos duas grávidas aqui na festa, Jessica Alba e Cate Blanchett. Bom, mas como Jack Nicholson está aqui, esse número pode aumentar até o fim da noite”. Impagável! :-D
- Melhor Curta de Animação foi para Peter & the Wolf. Não vi até agora, preciso achar uma maneira de ver…

E foi isso. Abraços para Paulo Maffia, o Grande, que me recebeu em sua casa mesmo sabendo que eu sempre falo alto pacas e com certeza possa ter acordado a vizinhança inteira. E o Bruno, o Benício d’A ARCA, que tá sempre por perto e levou sorvete de chocolate. Cara, tu é gênio. :-D

Agora acabou. Mais, só amanhã. ^_^

OSCAR 2008: saíram os indicados!

1 Comment | This entry was posted on jan 22 2008

Oscar 2008
Saiu hoje os indicados ao maior prêmio da indústria cinematográfica, o OSCAR (veja a lista completa dos indicados no IMDB, clicando aqui). Ratatouille, o longa animado produzido pela Pixar e dirigido pelo mestre Brad Bird, e votado como “sensacional” por 11 entre 10 críticos de cinema e de animação – sim, já vi essa pérola e é realmente maravilhoso – não pegou uma das vagas na categoria de melhor filme, como muitos rumores vinham cantando por aí. Em compensação, está concorrendo em 5 grandes categorias: Melhor Longa Animado, Melhor Roteiro Original (Bird, Jan Pinkava e Jim Capobianco), Melhor Mixagem de Som (Randy Thom, Michael Semanick e Doc Kane), Melhor Edição de Som (Randy Thom, Michael Silvers) e Melhor Trilha Sonora Original (Michael Giacchino).

Entre os concorrentes do filme do rato Remy na categoria Melhor Longa Animado, temos a sensação internacional Persepolis, dirigido por Marjane Satrapi (que criou a hq na qual o filme é baseado) e Vincent Paronnaud, e Tá Dando Onda (Surf’s Up) , da Sony Animation, dirigido por Ash Brannon e Chris Buck. Para mim, “Ratatouille” é o grande vencedor, mas com uma grande possibilidade de “Persepolis” levar essa para casa. “Tá Dando Onda” é o grande azarão.

Falando agora dos curtas animados, os indicados são: Même les pigeons vont au paradis , de Samuel Tourneux e Vanesse Simon; I Met the Walrus, de Josh Raskin; Madame Tutli-Putli, de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski; Moya Lyubov, de Aleksandr Petrov; e Peter & the Wolf, de Suzie Templeton e Hugh Welchman. Destes, eu já tive a chance de ver “Madame Tutli-Putli”, e estou correndo atrás dos outros quatro. Assim que possível coloco uma crítica rápida de cada um deles. Pena que o novo curta do Pateta, How to Hook up your Home Theater, acabou de fora.

E agora, outros comentários perdidos sobre os indicados:
- Transformers está concorrendo em três categorias, meio óbvias até: Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Efeito Visual. A meu ver, ele não fatura as duas primeiras. Mas seria bacana se levasse em efeitos visuais, afinal, é a única coisa que se salva no filme. Isso, e o Shia LeBeauf. E o Bernie Mac, claro. Uncle Bobby B, baby, Uncle Bobby B.
- Juno concorrendo a melhor filme, direção (Jason Reitman), roteiro (Diablo Cody) e atriz (Ellen Page, a Lince Negra de X-Men 3)? Cara, o Bruno (o Benício d’A ARCA) e o Leandro (o Zarko) não vão me deixar em paz… :-)
- Casey Affleck, que concorre ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, veio mostrar ao mundo que alguém da família Affleck sabe atuar. :-D
- A espetacular Laura Linney concorrendo como melhor atriz por The Savages. Eu nem gosto de vinho, mas essa mulher fica melhor a cada dia que passa! E é ótima atriz, ainda por cima.
- Será que Johnny Depp finalmente leva o Oscar de Melhor Ator? Mesmo contra Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones e Viggo Mortensen, e por causa de um papel musical?
- Sem esquecer de falar um pouquinho da Disney, Encantada está concorrendo na categoria Melhor Música Original com três peças: Happy Working Song, So Close e That’s How You Know, todas compostas por Alan Menken e Stephen Schwartz. Eu daria o Oscar, fácil, para “That’s How You Know”. Independente de qualquer coisa, “Encantada” leva esse prêmio, acredito eu, se a tradição continuar. Se bem que dizem que se um filme concorre com ele mesmo, em qualquer categoria, normalmente perde…