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100 ANOS DE ANIMAÇÃO

0 Comments | This entry was posted on ago 18 2008

Há exatos 100 anos – na verdade, 100 anos e um dia – no dia 17 de agosto de 1908, o cartunista francês Émile Cohl lançava Fantasmagorie, considerada a primeira animação produzida considerado o primeiro desenho animado produzido na história.

Depois de filmar seu desenhos (linhas pretas feitas em papel branco), Cohl usou o negativo dessa filmagem, dando o efeito de giz branco em um quadro negro. E você pode ver esse curta inteiro abaixo, ou clicando aqui para ver no YouTube:

1 minuto e 16 segundos, e 700 desenhos depois, o trabalho de Cohl abriria caminho para gênios como Winsor McCay, Walt Disney, Hayao Miyazaki, Tex Avery, Chuck Jones e muitos outros. Sorte a nossa! :-D Palmas e mais palmas para todos os apaixonados, para os profissionais, os amadores e todos que continuam levando a arte e o negócio da animação adiante.

Para homenagear o passado e manter a visão no futuro, o diretor Rastko Ciric produziu o curta Fantasmagorie 2008, exibido pela primeira vez em Paris em 11 de abril de 2008, misturando técnicas 2D e 3D. Veja o curta abaixo ou clicando aqui:

Morreu OLLIE JOHNSTON, o último dos Nine Old Men da Disney

3 Comments | This entry was posted on abr 15 2008

Ollie Johnston

E depois de dois dias longe do Animartini, a volta é marcada por uma notícia triste. Corri atrás para confirmar a informação em diversos sites, como o Animated News, Ain’t It Cool News, Cartoon Brew, The Blackwing Diaries, Jim Hill Media, Fórum Animations, e realmente era verdade: Ollie Johnston, o último dos nove grandes animadores que tornaram a animação Disney referência no mundo inteiro, se foi ontem, dia 14 de abril, aos 95 anos. Provavelmente tomou um de seus trens, outra paixão de Ollie, e foi se encontrar com o grande amigo Frank Thomas e com a esposa, Marie. :-)

Se você é fã de animação e não sabe nada sobre Ollie Johnston, pode começar a correr atrás. Johnston e Thomas faziam parte do Nine Old Men (que incluía também Les Clark, Wolfgang Reitherman, John Lounsbery, Eric Larson, Ward Kimball, Milt Kahl e Marc Davis), grupo de animadores que trabalharam diretamente com Walt Disney e fizeram escola com seus trabalhos nos clássicos longas animados capitaneados pelo pai do Mickey Mouse (afinal de contas, o Ub Iwerks é a mãe :-) ). Foram eles que transformaram as visões malucas de Disney em realidade quando o assunto era filmes, criando técnicas e estilo, construindo as bases do que é produzir animação bela, suave, consistente, cativante; isto é, criaram vida, como diria Chuck Jones, outra lenda (que criou a frase “Animation isn’t the illusion of life; it IS life“, que se pode traduzir como “Animação não é a ilusão da vida; é a própria vida“). A Pixar, por exemplo, cria todos os seus clássicos baseados nas lições deixadas por essas lendas. John Lasseter (a mente criativa por trás da Pixar e da Disney, e diretor dos filmes Toy Story, Vida de Inseto e Carros) e Brad Bird (diretor de O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille), fãs declarados do trabalho dos Nove e que tiveram a oportunidade de trabalhar com alguns deles, não cansam de falar da influência deles. Olha só o Brad Bird falando de como Milt Kahl criticou um de seus trabalhos antigos (em inglês):

Ollie animou cenas clássicas, como aquela em que Pinóquio conta uma mentira para a Fada Azul, e as cenas com o Bambi bebê. Junto com o amigo Frank Thomas – uma parceria que é lembrada não apenas pelos grandes trabalhos produzidos em parceria, masprincipalmente pela amizade entre os dois, amizade essa que conhecidos e familiares dos dois não conseguiam descrever em palavras – Ollie animou o Panchito em Os Três Cavaleiros e dirigiu sequências animadas que moldaram forma e movimento de personagens como Baloo, Baghera, Mowgli e da Garota em Mowgli, o Menino-Lobo; dos penguis garçons de Mary Poppins; de Pongo, Perdita, da Babá de daquela renca de filhotinhos em 101 Dálmatas, entre muitos outros trabalhos (veja a lista completa dos trabalhos aqui).Duvida? Veja o mestre Glen Keane falando do trabalho de Johnston:

Eu, um aprendiz e estudioso desse universo animado, fico triste em dizer que ainda conheço pouco sobre Johnston e os Oito. Estou colocando muitas leituras em dia. Mesmo assim, desde que comecei a me interessar realmente por este universo maravilhoso, e da minha eterna paixão pela Disney, o nome de Frank Thomas e Ollie Johston eram o que mais apareciam – junto com Ward Kimball, Milt Kahl e Wolfgang Reitherman. Nesse momento eu me lembro do Thiago El Cid, que sonhava em um dia conhecer pessoalmente o mestre Will Eisner, eu também sonhava em conhecer Frank Thomas, Chuck Jones e, claro, Ollie Johnston.Mas aí eu perdi o horário e o trem partiu. É a vida.

O bom é saber que o legado dele ainda vive, agora nas mãos de outros mestres como Keane, Bird, Andreas Deja, Andrew Stanton

UPDATE: O Celbi Pegoraro, do Animation Animagic, fez um artigo muito bacana sobre o animador.

MOCAP: não, não é animação. Mas eu posso, então eu faço.

4 Comments | This entry was posted on jan 28 2008

Beowulf: birolhinho, hein?
Nesse sábado, li um artigo no site AWN escrito pelo grande Gene Deitch. Para quem nunca ouviu falar, o animador, hoje com 83 anos, já trabalhou em estúdios como UPA, Terrytoons, MGM (onde produziu diversas animações da dupla Tom e Jerry) e Paramout. No artigo, entitulado “Yes, but is it animation?“, Deitch fala sobre um tema citado sempre com grande ojeriza pelos animadores, o MOCAP.

MOCAP é a contração de “motion capture”, ou captura de movimento, em tradução livre. Essa técnica, utilizada atualmente em grandes filmes e também na publicidade, se resume em gravar os movimentos de um ator – que veste
uma roupa com sensores que identifica e captura toda a dinâmica – e transferí-los para um computador, que identifica a informação deixando pronto uma base de movimentos que podem ser inseridos em qualquer personagem 3D, substituindo a necessidade de se animar este personagem pelas técnicas tradicionais.

No artigo, Deitch deixa clara sua opinião sobre o processo, deixando claro que, para ele, essa técnica não irá acabar com os animadores (e eu acredito, mesmo sem ele ter citado, que isso impacte também nos atores e atrizes), mas irá eliminar a criatividade e a imaginação do processo de animação. Como estopim do assunto, ele cita o filme Beowulf, dirigido por Robert Zemeckis, que utiliza essa técnica aplicada a imagens que tentam recriar seres humanos com perfeição, mas o máximo que conseguem é produzir manequins. Houve até um certo bafafá entre os animadores estadunidenses quando o OSCAR considerou o filme para a categoria MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO.

Lembro de vários jornais e revistas chamando o filme de “revolucionário” e “o futuro do cinema”. Balela. Pessoalmente, acho que o MOCAP tem sua serventia, sim: ser utilizado como uma ferramenta de suporte, exclusivamente para efeitos especiais e para evitar alguma cena que seja muito perigosa (para não dizer impossível) para o dublê. Exemplos que vêm à mente que utilizaram muito bem o MOCAP são a trilogia O Senhor dos Anéis e o King Kong, ambos do diretor Peter Jackson. Na prática, essa busca incessante em recriar um ser humano de maneira ultra-fiel utilizando 3D é até interessante, e se aplica ao que eu disse acima sobre efeitos especiais. Mas não vejo o porquê utilizar isso como base criativa para um filme ou uma série de tv. Para quê imitar um Anthony Hopkins ou um Ray Winstone ou uma Angelina Jolie quando você pode ter O PRÓPRIO ATOR? A resposta, a meu ver, é simples: “porque eu posso”.

Quando digo eu, quero dizer o próprio Zemeckis, repetindo para si mesmo ao se olhar no espelho. Mesmo depois daquela atrocidade conhecida como O Expresso Polar. Animação não é apenas uma maneira de criar coisas. Como o mestre Chuck Jones disse, “animação não é a ilusão da vida. Animação é vida”. Vida não é só imitar fielmente os movimentos humanos, ou ter uma pele tão detalhada onde se possa ver os poros. Por isso que o Pernalonga e o Mickey são muito mais humanos do que o Beowulf de Zemeckis ou a Dra. Aki Ross de Final Fantasy: The Spirits Within. Beowulf, no final, acaba se tornando um filme desnecessário: descartável, vazio, falso, mesmo que o roteiro não seja assim tão ruim. Pessoalmente, tremo nas bases ao saber que um filme utiliza MOCAP.

Deitch termina o artigo falando que devemos parar de categorizar os filmes pela técnica empregada, e analisar se eles têm uma história que realmente valha a pena ser contada, e se é bem contada. Concordo totalmente – ainda mais com filmes como Happy Feet e A Casa Monstro, mas será que dá para substituir os manequins por personagens mais humanos? Tipo um ratinho cozinheiro em Paris, ou até mesmo um esquilo neurótico por noz? No final, vão acabar culpando o pessoal de casting… :-)