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Um ensaio inicial sobre “experiência”

Estou de volta, pessoas. Sem blablablá, e direto ao ponto.
Jeffrey Katzenberg, a mente criativa (?) por trás da Dreamworks Animation e sem noção-mor, declarou que os filmes exibidos em stereoscopic (também conhecido como tridimensional ou 3-D – não confudir com filmes em CGI) serão o futuro da indústria cinematográfica, a terceira grande revolução (após o som e a cor) que fará com que as pessoas voltem a freqüentar os cinemas como antigamente. “Our lives are going to be forever changed. Because this is the future for us.”
Katzenberg é, como diria o Capitão Nascimento, um fanfarrão. Pessoalmente, acho que ele está exagerando (como sempre), e olha que eu não vi nenhum desses filmes em 3-D dessa nova safra até agora, como Viagem ao Centro da Terra, Hanna Montana & Miley Cyrus: O Melhor dos Dois Mundos e U2 Live, por exemplo. Ainda assim, note como tem saído cada vez mais filmes utilizando essa tecnologia, algo que muita gente já tinha dado como morta desde a década de 80, e grandes veículos de mídia abordam o assunto com mais e mais freqüência. A indústria cinematográfica fazendo das tripas coração para atrair aquele público desgarrado, que têm fugido feito diabo da cruz ano após ano das salas de cinema, tentando oferecer uma experiência nova e exclusiva que não pode ser conseguida com as grandes telas de LCD de imagens em alta resolução ou com os filmes convenientemente piratas encontrados pelas internets e pelas esquinas da vida.
Guarde essa palavra: experiência.
Acho essa medida da indústria muito louvável. Mesmo tendo certeza que os motivos pelos quais as pessoas não vão mais ao cinema são outros – o alto custo dos ingressos, a pirataria, a baixa qualidade dos filmes exibidos, para citar apenas alguns – o uso de novas tecnologias é sempre importante e um bom chamariz para o público, mesmo que a curto prazo. Mas, como eu disse acima, não acredito que essa tecnologia seja o cálice sagrado, a última Coca-Cola do deserto do negócio de salas de cinema. Acho que há muitos outros caminhos, e quero aproveitar e deixar uma idéia no ar que não requer firulas tecnológicas e que realmente poderia oferecer novas possibilidades.
Hoje todos vêem as salas de cinema apenas como um local para se exibir, bem, filmes. Duh. Pare um minutinho e imagine: você iria ao cinema para assistir uma season finale de Lost, por exemplo? Ou que tal assistir ao vivo a uma partida de futebol em plena Copa do Mundo (sem a narração ufanista descontrolada do Galvão Bueno, claro)? Ou assisitr a um show ao vivo que esteja acontecendo em outra cidade, ou em outro país? Tela gigante e imagem em alta definição, conforto de cadeiras, som surround… Imaginou?
Para mim, ver um filme no cinema é uma “experiência” diferente do que ver um filme em DVD, ou ver um filme baixado no computador, ou ver um filme no celular ou em um PSP. Agora substitua “filme” por “séries de tv” ou “desenhos animados” ou até mesmo por “games” (alguém consegue se imaginar jogando um Zelda, um Super Mario, um God of War ou um H.A.L.O. em um telão de cinema? Eu até sonho com isso, se bem que não consigo imaginar a logística para tal…
). Como impedir que o conteúdo seja duplicado hoje é praticamente impossível e uma luta inglória, e com cada vez mais opções para se consumir esse conteúdo, é preciso valorizar o que cada mídia tem de melhor. As salas de cinema oferecem, a meu ver, uma imersão muito maior do que a TV ou o computador, o que dirá do celular. Ali, no escurinho, você é praticamente puxado para aquele universo de fantasia que se passa à sua frente (isso quando aquele bando de adolescentes não te traz de volta ao mundo real na marra!). Uma mudança de conceito, uma mudança no modelo de negócios: Cobre pela experiência, não pelo conteúdo. A série/partida de futebol/show vai passar de graça na TV, e com certeza estará disponível na internet. Mas ver no cinema não tem preço. Bom, na verdade, tem sim.
Exclusividade é uma experiência, assim como a conveniência, e experiências assim podem ser cobradas.
Claro que há aspectos técnicos necessários para viabilizar esse novo modelo, como a instalação de projetores digitais nas salas e um grande trabalho de divulgação. Questão de tempo, a meu ver. Oferecer conteúdo diferenciado aumentaria a opção de escolha do público, aumentando o fluxo de pessoas à salas. Sem falar que as grandes produtoras precisariam melhorar a qualidade de seus filmes, já que haveria concorrência no único reduto ainda exclusivo dos filmes.
O fato é que nada do que eu disse acima é novo: lá pelos idos de 1930 e 40, os cinemas exibiam curtas metragens, animações e os famosos boletins de notícias. Então não me venham falar que isso é uma afronta, que cinema é lugar só de filme e afins, hein?
Gostaria muito de saber a opinião de quem visita o Animartini sobre isso, pois acho que é assunto para uma looooonga discussão. Por isso, comentem, comentem.
PS.: Voltando rapidamente ao tema inicial, tenho muita vontade de ver um filme em 3-D. Dizem que não é tão incômodo quanto antigamente. Deve ser verdade, porque as salas têm se multiplicado não só nos EUA, mas aqui no Brasil também.
Crítica – STEAL THIS FILM: propriedade intelectual é o petróleo do século 21

Um dos assuntos que mais mexe comigo hoje é justamente toda essa problemática envolvendo pirataria. Para começar a tratar desse assunto aqui no Animartini, eis a crítica do filme Steal This Film, produzido em 2006 por The League of Noble Peers e que pode ser baixado gratuitamente através do site oficial da produção: www.stealthisfilm.com/Part1.
“Steal This Film” usa como fio condutor a invasão e o desligamento dos servidores do site The Pirate Bay, considerado um dos maiores propagadores de material pirata da internet, pela polícia suíça em 2006. O porquê disso ter acontecido, assim como o envolvimento dos EUA na questão, leva a história a assuntos como direitos autorais, demanda e distribuição de conteúdo, protocolo Bit Torrent, etc.
O filme deixa claro sua posição desde o começo, defendendo com unhas e dentes a prática da pirataria. Como eu vou deixar claro no texto abaixo – e nos vários posts que eu ainda escreverei sobre isso – a situação é muito mais complexa do que tratar a pirataria simplesmente como crime, preto no branco. Ainda assim, a lei é clara, mesmo que caduca. o que mais me impressionou no filme é a cara de pau dos criadores do The Pirate Bay, principalmente quando enchem a boca para falar que os norte-americanos não tem como se meterem na Suíça – os EUA tentaram e continuam tentando encerrar as operações do site utilizando meios políticos e econômicos, já que, na prática, não há nenhuma lei na Suíça que considere crime oferecer links para materiais registrados -, que a informação deve trafegar livre, etc, etc. Eu concordo com eles com referência a essa lei, e sobre a liberdade da informação, mas pode notar quais dessas “informações” são as mais baixadas no The Pirate Bay: filmes e músicas norte-americanas, todas protegidas por leis internacionais de direitos autorais. É só ver o Top 100 downloads de filmes no TPB hoje: se há dois ou três filmes que não sejam de grandes produtoras norte-americanas, é muito. Esses que não são, são de outras três grandes produtoras de outros países. Assim é fácil, não? Read more »



