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KUNG FU PANDA: é legal. Só isso

Sinceramente, não entendi a tamanha comoção em cima de Kung Fu Panda. Venho lendo há meses que a animação era a primeira grande obra do estúdio do maluco Jeffrey Katzenberg, que a Dreamworks Animation tinha “dado uma de Pixar” e que o filme “era bom justamente devido à sua simplicidade”, e blábláblá.
Longe, bem longe disso. “Kung Fu Panda” é legal, e pára por aí. (acertou em cheio, caro El Cid
)
Para mim, essaa nova animação dirigida por Mark Osborne e John Stevenson é apenas mais um filme de verão. O roteiro de Jonathan Aibel e de Glenn Berger é simples, direto ao ponto e previsível às pampas, com algumas piadas bacanas, e só. Ok, ok, a animação está realmente muito bem feita (conduzida pelo animador-chefe Dan Wagner), inclusive a modelagem e as texturas, não há como negar.
Para mim, o que realmente se destaca são a apresentação do filme, toda animada em 2D pelo estúdio James Baxter Animation (o mesmo que produziu as cenas animadas de Encantada, utilizando um estilo visual que me lembrou bastante a sensacional série animada Samurai Jack), e os créditos finais, animados pela Shine Studios, também em 2D.
E eu achei que fosse pegar uma sessão particularmente vazia lá no Cine Roxy de Santos. Que nada: acabei caindo em uma sala repleta de crianças e seus respectivos pais. A molecada saiu do cinema vibrando com as peripécias do panda Po (quer dizer, todos menos o pivetinho do meu lado, que estava enchendo o saco da mãe para o filme acabar logo e que me olhou umas três vezes por causa das minhas reações ao filme. Eu sou um pateta.
). Estaria eu ficando velho?
Não. As crianças é que gostam de qualquer coisa.
E prá terminar: ontem eu vi Wall-E, de novo. E, por Primus, a segunda vez é ainda melhor!
BATMAN – THE BRAVE AND THE BOLD: informações sobre a nova saga animada do Cavaleiro das Trevas!

Sei que a notícia da nova série animada do Batman já vem rolando a internet faz um tempinho, mas como ainda não tinha visto a imagem de divulgação (acima) até uns dias atrás, além de notar que ainda há pouca informação disponível, achei que seria legal comentar.
E sim, mais uma série animada do Batman, como se já não houvesse o bastante. “Mais uma? Os caras não se cansam, não?”, disse um abnegado El Cid, o que não deixa de ter seu fundo de verdade. A questão é que o Morcego sempre trouxe rios e rios de dinheiro para a Warner e para a DC Comics, ainda mais nos últimos 15 anos. Outro ponto importante a ser considerado é que, independente das infinitas encarnações animadas pós-The Animated Series (a mais conhecida hoje, aquela do visual gótico produzida por Paul Dini e Bruce Timm) – como The New Batman Adventures (também conhecida como Batman: Gotham Knights), Batman do Futuro, Liga da Justiça, O Batman – os roteiristas conseguiram o feito de criar estilos diferentes para cada nova série mantendo a qualidade das histórias em todas elas.
Bom, eis que é divulgada Batman – The Brave and The Bold, que mostrará o Cavaleiro das Trevas se unindo a um herói diferente a cada episódio para enfrentar os mais diversos perigos. Essa idéia, apresentada em versão animada na última e bem sucedida temporada de “The Batman”, tem sua origem um pouquinho mais no passado: entre 1955 e 1983, a DC lançou uma série de hqs chamada The Brave and The Bold, onde mostrava aventuras antigas de heróis menos conhecidos. Na edição número 25, o título mudou o foco, sendo palco de teste para novos personagens e equipes (o Esquadrão Suicida, Metamorpho e a famosíssima Liga da Justiça estrearam nesse título). Na edição de número 50, nova virada editorial: o título começou a mostrar encontros entre diversos heróis, e os mais famosos foram justamente aqueles que mostravam Batman se juntando a outros superpoderosos.
Segundo os produtores, essa série terá um tom muito mais light que as anteriores. Segundo o produtor James Tucker, “(a série) foi feita para trazer à tona um lado diferente do frio, vingador e temido Cavaleiro das Trevas. Nosso Batman tem esperança“. Ainda assim, o diretor Ben Jones deixou bem claro que “sim, haverá comédia, mas não esqueceremos da ação. (…) O Batman é ainda aquele perfeccionista chato que tem sido pelos últimos 20 anos“. Entre os heróis, Batman juntará forças com alguns heróis de primeira linha, como Aquaman e Arqueiro Verde (respire, Bruno, respire
), e com outros não-tão-tops-e-conhecidos-mas-fodões-e-amados-por-muitos como Homem-Borracha (alguém chame uma ambulância para o Bruno, pelamor!
) e Besouro Azul. Outros personagens serão divulgados em breve.
Pela imagem acima, dá para notar exatamente o que Tucker quer dizer. Só de trazer o visual “azul” – sabe, aquele do desenho animado Superamigos e daquela série de tv tosca dos anos 60 com o Adam West? Então – já deixa claro o caminho que a série tomará. A série será dirigida por Jones (responsável pela direçãde de vários episódios de Transformers Animated e Harvey O Advogado), Michael Chang (já dirigiu episódios de Teen Titans e Roughnecks: Starship Troopers Chronicles) e Brandon Vietti (diretor do longa Superman: Doomsday); a produção será de Tucker, Amy McKenna (produtora associada da série Legion of Super Heroes), Sam Register (produtor executivo de “Transformers Animated”) e Linda Steiner (produtora de Duck Dodgers e “Liga da Justiça”). Já os roteiros serão coordenados por Michael Jelenic (que já escreveu episódios para Ben 10, “O Batman”, “Legion of Super Heroes” e foi editor de roteiro no filme O Batman Vs. Drácula). Para dublar Batman/Bruce Wayne foi escolhido o ator Diedrich Bader (o amigo de Drew Carey da série de TV The Drew Carey Show); o jovem Zachary Gordon (que já participou de séries como Desperate Housewives e Frango Robô) emprestará sua voz para uma versão mais jovem de Bruce Wayne; já Greg Ellis (Beowulf e 24 Horas – terceira temporada) interpretará um personagem chamado Craddock. Outro nome confirmado no cast, Will Wheaton (mais conhecido pelo papel de Wesley Crusher na série Jornada nas Estrelas: A Nova Geração), ainda não teve o personagem divulgado.
O desenho terá 22 episódios para sua primeira temporada, e será exibido pela Cartoon Network ianque (isto é, praticamente garantida a exibição na CN brasileira). A série tem previsão de estréia para março de 2009.
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CIRQUE DU SOLEIL – ALEGRÍA: eu fui!

Depois de um convite da minha excelentíssima mãe, tive a oportunidade de acompanhá-la no espetacular show Alegría, do Cirque du Soleil, dia 11 de abril em São Paulo (obrigado de coração pelo convite e pela paciência, Dona Regina!).
Como a trupe já vem se apresentando no Brasil há vários meses, e muitos já deixaram claro em seus respectivos site/blogs – como o Alê Jungermann no Lineup – nem preciso ser mais um que vai dizer que o espetáculo é lindo de morrer, benhê.
Apenas gostaria de comentar alguns pontos:
- O espetáculo, como eu disse acima, é realmente espetacular. Um “ultimate circo”, como diriam os fãs da cronologia Ultimate, da Marvel Comics;
- Mesmo assim, esperava algo muito mais “grandioso”, e digo isso deixando claro que meu conhecimento sobre o Cirque du Soleil até esse dia eram os comerciais que passavam na tv e algumas notinhas por sites. Nunca tinha ido sequer pesquisar sobre a história do Cirque. E, sendo assim, acho que o valor cobrado pela entrada (média de entre 300 e 450 reais por cabeça) é um tanto quanto exorbitante. Na verdade, é caro prá caceta!;
- Um bom exemplo disso é o do sujeito fazendo malabares com as bolinhas. Na hora, joguei minhas expectativas lá no alto, tipo “ele vai manter umas 20 bolinhas no ar”. Ok, eu nem consigo fazer com duas bolinhas, sem falar que a performance em si estava muito boa, mas foi meio broxante;
- Em compensação, a apresentação onde o artista voava preso a dois lenços, o contorcionismo das meninas e o trapézio foram os pontos altos;
- Vale comentar também sobre o figurino, a maquiagem e o clima dado à apresentação. Eu não entendo nada disso, mas acho que pelo fato de eu ter lembrado mostra que seja lá o que os profissionais estudaram ou fizeram, deu muito certo;
- Não sou muito fã de palhaços, mas também não morro de medo deles, como a menininha do El Cid.
Mas, cacetada, o show dos palhaços da trupe, que inclui o brasileiro Marcos Casuo, é fenomenal. Era fácil ouvir os comentários do pessoal lembrando das peripécias e da graça dos palhaços após o espetáculo. O rolo com o aviãozinho de papel e o esquema da moto foram ó-te-mos;
- Pelamordedeus, um tantinho de pipoca a 13 reais? Refrigerante em lata a 4 reais? Coé, tão ficando loucos?;
- Eu senti falta de uma apresentação de mágica. Mas isso é viadagem minha, deixem para lá;
- Mas ali, além das apresentações, dos malabarismos, da beleza, teve um detalhe que eu jamais vou esquecer: a música. Barbaridade, que coisa mais linda! “Alegria“, “Ibis“, “Valsapena“, “Vai Vedrai“, “Kalandéro“, “Querer“… obras-primas criadas por René Dupéré e entoadas por Francesca Gagnon, uma mais arrebatadora que a outra. A minha preferida é justamente “Alegría”, o tema do espetáculo. Sabe aquele tipo música que te deixar mais leve, de voar? Pois é. “Bella ruggente pena, seren. Come la rabbia di amar. Alegría”.
Resumindo: virei fãzaço.
Esse post vai em homenagem ao grande Alê Jungermann, do blog Lineup. Se você também adora esse universo circense, aproveito para sugerir a leitura do post Todos são iguais perante a lei, mas uns são mais iguais do que os outros. É simplesmente triste o que se faz com a cultura nesse país. Eu mesmo me espelho no que há de melhor hoje para tentar produzir algo próprio. Agora achar que tudo o que vem daqui não é bom/não dá dinheiro é coisa de gente pequena e sem visão.
É isso.
Morreu OLLIE JOHNSTON, o último dos Nine Old Men da Disney

E depois de dois dias longe do Animartini, a volta é marcada por uma notícia triste. Corri atrás para confirmar a informação em diversos sites, como o Animated News, Ain’t It Cool News, Cartoon Brew, The Blackwing Diaries, Jim Hill Media, Fórum Animations, e realmente era verdade: Ollie Johnston, o último dos nove grandes animadores que tornaram a animação Disney referência no mundo inteiro, se foi ontem, dia 14 de abril, aos 95 anos. Provavelmente tomou um de seus trens, outra paixão de Ollie, e foi se encontrar com o grande amigo Frank Thomas e com a esposa, Marie.
Se você é fã de animação e não sabe nada sobre Ollie Johnston, pode começar a correr atrás. Johnston e Thomas faziam parte do Nine Old Men (que incluía também Les Clark, Wolfgang Reitherman, John Lounsbery, Eric Larson, Ward Kimball, Milt Kahl e Marc Davis), grupo de animadores que trabalharam diretamente com Walt Disney e fizeram escola com seus trabalhos nos clássicos longas animados capitaneados pelo pai do Mickey Mouse (afinal de contas, o Ub Iwerks é a mãe
). Foram eles que transformaram as visões malucas de Disney em realidade quando o assunto era filmes, criando técnicas e estilo, construindo as bases do que é produzir animação bela, suave, consistente, cativante; isto é, criaram vida, como diria Chuck Jones, outra lenda (que criou a frase “Animation isn’t the illusion of life; it IS life“, que se pode traduzir como “Animação não é a ilusão da vida; é a própria vida“). A Pixar, por exemplo, cria todos os seus clássicos baseados nas lições deixadas por essas lendas. John Lasseter (a mente criativa por trás da Pixar e da Disney, e diretor dos filmes Toy Story, Vida de Inseto e Carros) e Brad Bird (diretor de O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille), fãs declarados do trabalho dos Nove e que tiveram a oportunidade de trabalhar com alguns deles, não cansam de falar da influência deles. Olha só o Brad Bird falando de como Milt Kahl criticou um de seus trabalhos antigos (em inglês):
O bom é saber que o legado dele ainda vive, agora nas mãos de outros mestres como Keane, Bird, Andreas Deja, Andrew Stanton…
UPDATE: O Celbi Pegoraro, do Animation Animagic, fez um artigo muito bacana sobre o animador.



