Posts Tagged ‘espiral’
WOLVERINE AND THE X-MEN: review dos episódios 1 a 7 da primeira temporada

A trama é instigante: os mutantes estavam felizes e faceiros na mansão onde funciona o Instituto Xavier para Aprendizado Avançado, quando Charles Xavier e Jean Grey sofrem um ataque mental antes de acontecer uma grande explosão. Xavier e Jean são dados como mortos, e a mansão é completamente destruída. Sem saber como lidar com a morte de amigos queridos e sem liderança, os X-Men se separam. Um ano se passa e, sem os heróis mutantes de Westchester, as leis anti-mutantes do Senador Kelly ganham cada vez mais força: soldados agora andam pelas cidades perseguindo e aprisionando mutantes à esmo, causando caos pelas ruas. Quando essa força anti-mutante chega a prender humanos comuns apenas pelo fato deles terem ajudado Wolverine, o carcaju decide que é hora de remontar a equipe. Mas será que todos irão voltar? Como cada x-man está vivendo hoje depois de tanto tempo? O que andam fazendo? Como estão lidando com a perda?
Muito legal, né? Nada mais de perder tempo com histórias de origem, já que os filmes dos mutantes ainda está fresco na cabeça do público. Trabalhar uma nova idéia, novas possilidades com personagens que o público já conhece. No trailer, Cyclope agora vive sozinho, ainda triste e amargurado, e não aceita o pedido de Wolverine para voltar à equipe (e deixa isso bem claro ao jogar Logan pelas paredes com uma pela rajada ótica). Uau! Tudo para dar certo, né? Então me responda como é que conseguiram transformar uma premissa tão bacana em algo tão absurdamente ruim? Para aqueles que tinham altas expectativas como eu, podem esquecer: Wolverine e os X-Men é mais uma série animada descartável, e que chega a ser vergonhosa em alguns momentos.
Vi sete episódios até agora e todos, sem exceção, possuem roteiros fracos, personagens mal desenvolvidos e rasos, que cospem diálogos que soam mais falsos que um desenho bem feito do Rob Liefeld. As histórias são infantis mesmo, bobas e forçadas, utilizadas apenas como uma desculpa para introduzir novos personagens, e a grande maioria deles não acrescenta nada. A premissa, que por si só levanta tantas possibilidades bacanas, é deixada de lado para colocar personagens como Mojo (não aquela idéia bacana da versão Ultimate, onde Mojo é apenas um produtor de televisão que cria um reality show onde mutantes são caçados, mas sim aquele ser sádico de outra dimensão viciado em luta de criaturas superpoderosas – e tá, vá, eu gosto bastante da Espiral, que aparece nesse mesmo episódio), Nick Fury (que é basicamente um filho da mãe de marca maior e que resolve os trabalhos sujos do governo norte-americano, deixando suas características como o bronco herói de guerra da cronologia normal, ou sua versão Samuel L. Jackson inteligente e bad-ass do universo Ultimate, de lado), Rei das Sombras (como raios a Tempestade foi parar na África e se tornou uma rainha? Tudo bem que os fãs até sabem disso, mas quem assiste o desenho pela primeira vez é jogado no meio desse plot rocambolesco, onde um demônio ou seja lá o que for aquilo aparece para dominar o corpo da Ororo e causar o caos) e o Huk (com tanta coisa para resolver antes, realmente precisava colocar o monstro verde?) na trama. O episódio em que aparece o Gambit, por exemplo, foi escrito por Bob Forward. Ele, junto com Larry DiTillio, foram as mentes criativas por trás daquela belezura de série chamada Beast Wars. Em “Wolverine and The X-Men”, Forward entrega um episódio que chega a ser vergonhoso, sem dúvida o pior dos sete. Isso sem falar que eles estragam tudo logo no quarto episódio, quando é mostrado que Xavier não morreu, mas está em coma na ilha de Genosha sob proteção de Magneto. Aí do nada o careca começa a se comunicar do futuro com seus pupilos sobre um grande cataclisma que acontecerá em breve, voltando à trama de Dias do Futuro Passado… quer dizer, pura patacoada. Tudo isso talvez seja o reflexo da pouca experiência e falta de criatividade de Craig Kyle, o head writer da série (os primeiros roteiros profissionais dele são para X-Men Evolution, de 2004), ou nenhuma voz ativa em uma série controlada pelos executivos, quem sabe.
Se os roteiros são ruins, a animação segue pelo mesmo caminho. Ok, o design dos personagens é bem interessante, com uniformes que lembram a fase mais exagerada das HQs da década de noventa (Vampira utilizando o collant verde e amarelo, Wolverine com o uniforme amarelo e azul) e a fase mais recente, escrita por Grant Morrison (Cyclope com um uniforme azul-marinho que deixa apenas a boca à mostra e um sobretudo, Rainha Branca com um top tomara-que-caia branco, Fera que lembra a sua versão cinematográfica, com colete e calça azul com detalhes em amarelo), mas a qualidade técnica deixa muito a desejar, com fracas expressões faciais e erros gritantes de profundidade. Isso sem falar no CGI, porcamente adicionado às cenas tradicionais. E quem disse que eu consegui encontrar o nome do responsável pelo character design? Nem no IMDB tem!
Se tudo isso ainda não fosse suficiente, a dublagem consegue jogar a série na lama, de tão ruim que está. Andei pesquisando e parece que a responsável é uma empresa chamada Uniarthe, a qual eu nunca tinha ouvido falar até então. Parece que eles são novos no mercado, sei lá. A qualidade é tão fraca que cheguei a achar que estava vendo uma daquelas dublagens feitas por fãs, utilizando apenas ferramentas simples no computador, manja?
É interessante notar que a série estreou no Canadá e aqui na América Latina antes mesmo de ser exibida nos EUA, que tem lançamento marcado para o primeiro semestre de 2009 no canal Nicktoons. Será que eles perceberam que a série é tão ruim e quiseram testar em outros mercados? Vai saber. Bom, quem tiver interessado em assistir basta ligar no canal pago Jetix de segunda a quinta-feira às 15h30. Eu vou continuar assistindo para ver no que vai dar, mas prefiro assistir a nova série do Homem-Aranha, que está maior legal… e eu nunca comentei por aqui, veja você! Bom, mais posts pelo caminho…



