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Crítica: O ÚLTIMO MESTRE DO AR


Estou de volta! Gostaram do novo visual? Foi digrátis. :-)

E M. Night Shyamalan morreu prá mim.

Lembram daquele diretor que entregou filmes sensacionais como O SEXTO SENTIDO, CORPO FECHADO, SINAIS e A VILA (eu sei que tem muita gente que não engoliu esse último, ainda assim eu gosto bastante)? Então, foi-se. Partiu dessa para uma pior. Foi obliterado. E tudo o que sobrou foi o diretor de O FIM DOS TEMPOS e do recente O ÚLTIMO MESTRE DO AR.

Eu estava rezando para que todo esse bafafá em cima do filme fosse mais uma “síndrome de SPEED RACER“, onde o mundo inteiro odiou quando o filme foi lançado, mas que eu assisti e acho simplesmente sensacional (como vocês devem ter lido na minha crítica aqui). Mas dessa vez o mundo estava certo: o filme é vergonhoso. Pior do que vocês imaginam. Não me sentia assim desde O MOTOQUEIRO FANTASMA. E nesse caso a situação é bem pior, pois nunca tive expectativa nenhuma sobre o mal-fadado filme do Nicolas Cage.

“O ÚLTIMO MESTRE DO AR” falha de maneira épica em praticamente todos os quesitos: direção, edição… a trilha sonora de James Newton Howard não chega a ser ruim, mas simplesmente não será lembrada. A fotografia de Andrew Lesnie dá umas escorregadas – e olha que estamos falando do responsável pela fotografia de filmes como KING KONG do Peter Jackson e da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS. As sequências de ação são patéticas de tão mal conceituadas e coreografadas. Os atores estão péssimos, mas baseado no ridículo roteiro escrito pelo próprio Shyamalan (que também “dirigiu” o filme) que foi entregue a eles, com cenas tão mal pensadas e diálogos tão risíveis como aqueles, eu fico em dúvida se até mesmo dame Judi Dench conseguiria dar um trato melhor.

O cuidado com a adaptação visual até prometia, tanto que fiquei impressionado com os trailers, mostrando a roupagem dos personagens, os cenários e o uso dos elementos, que realmente estão bem fiéis à série animada criada por Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko. Eu assisti a primeira temporada de AVATAR: THE LAST AIRBENDER e, mesmo a série não sendo perfeita – dá umas escorregadelas de continuidade, de desenvolvimento de personagem e principalmente de timing, mas nada que estrague – você nota que há um cuidado com a história, os personagens são extremamente carismáticos, e a animação até que é bem feitinha. Com certeza assistirei as duas temporadas restantes e até comprarei os DVDs. Mas quando um filme só acerta no visual, dá para imaginar o nível, não?

E duas coisas, from a fan standpoint:
- o nome do Avatar se pronuncia ÉNG, e não ÂNG. E por quê ficam chamando o moleque de Âng o tempo inteiro? WTF??
- Por quê raios o Shyamalan transformou o Príncipe Zuko em um bebê chorão?

Basicamente, “O ÚLTIMO MESTRE DO AR” é um filme tão ruim que faz TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS parecer um filme do Christopher Nolan! Ok, nem tanto, vá: pelo menos essa bomba do Shyamalan fecha em uma hora e quarenta minutos, enquanto TF2 tem quase três horas de tortura e vergonha alheia. Ah, e para encerrar, eu citei o Nolan só para perguntar se alguém aí viu A ORIGEM. Viram? Maior bom, fala sério! Vi no IMAX, com toda a beleza da tela gigante e do sistema de som que socava a espetacular trilha sonora do Hans Zimmer nos meus ouvidos. Tudo bem que eu acho que poderia ter menos informações sobre a história explicadas na base do diálogo, mas isso não mata em nada a experiência: que filme espetacular! E alguém me explica como o Nolan filmou aquela sequência de briga no hotel?? Gênio. Filme do ano até agora. :-)

iPhone 3G é anunciado oficialmente. E isso tem tudo a ver com animação!

Não, você não está acessando o Update or Die, o Digital Drops ou o Gizmodo. :-D

Eu venho mantendo um namoro meio platônico com o aparelhinho sensação da Apple há um bom tempo, mas parece que agora a coisa ficou escancarada: eu quero um. AGORA! :-D

Há apenas algumas horas acabou a apresentação do Steve Jobs (o todo poderoso da Apple, da Pixar e da Disney) onde o iPhone 3G foi apresentado. A segunda geração do celular vem com uma cacetada de inovações, a maioria na parte de software. Quem quiser saber de todos os detalhes é só acessar esse post do Engadget, um dos sites referência de novidades eletrônicas e gadgets afins, onde há um acompanhamento da apresentação item a item, com muitas imagens. O lançamento do novo aparelho está programado para 11 de julho em 22 países simultâneamente. O Brasil não está incluído nessa primeira leva, mas já está confirmado o lançamento aqui em terras brasilis até o fim do (a Claro já havia anunciado a exclusividade do aparelho no Brasil) ! :-D

A minha idéia aqui é falar o que essa notícia pode ajudar em muito o mercado de Animação brasileiro.

Antes de mais nada, alguns dados: o iPhone está liderando uma revolução, principalmente na área de multimídia (vídeo e áudio). Já é fato consumado que um dos grandes mercados a serem explorados em um futuro bem próximo é justamente o mobile. O Brasil tem hoje mais de 120 milhões de aparelhos celulares, e o número está aumentando a passos largos. É mais do que o total de residências com TVs no país – em torno de 50 milhões de residências, considerando a média de dois aparelhos por residência. Os modelos estão oferecendo cada vez mais funcionalidades nessa área e ficando mais e mais baratos (o próprio iPhone de 8GB, que custava lá fora US$ 399, vai dar espaço para o iPhone 3G de 8Gb por apenas US$199, e o de 16Gb por apenas US$ 299; e pensar que o primeiro iPhone custava US$ 599). E apenas um pouco mais de 180.000 iPhones no Brasil são responsáveis por mais de 50% da transmissão de dados via aparelhos celulares hoje no Brasil. O mercado, aqui e no resto do mundo, ainda é gigantesco.

Por mais preparado para multimídia que o iPhone seja, se comparado aos outros aparelhos disponíveis no mercado, ele não é a única plataforma a oferecer serviços assim. Tanto que, nos EUA, o iPhone tem impulsionado a venda até mesmo dos aparelhos smartphones da concorrência, segundo esse artigo da revista Wired. Quer dizer: o sucesso do iPhone – que já vendeu mais de 6 milhões de unidades (mesmo estando oficialmente em apenas 6 países) – é indiscutível, e ainda está ajudando a concorrência. Virge.

Com uma demanda astronômica dessas, um mercado que ainda está testando produtos e modelos de negócios, e com as grandes empresas apostando mais e mais, o conteúdo – seja vídeo, áudio ou games – será um produto cada vez mais requisitado! Eis que vem a pergunta: que tal aproveitar o momento para produzir animações pensando nessa nova plataforma de distribuição de conteúdo? Isso pode ser o que muitas produtoras e animadores estavam esperando para finalmente exibir e vender seu trabalho – e em escala global! :-D

Mesmo assim, de nada adianta ficar admirando as possibilidades: o momento é de produzir, produzir e produzir! A conexão 3G irá permitir downloads muito mais rápidos do que a antiga EDGE.

Tenho certeza que muitos vão lembrar de David Lynch e sua opinião sobre assistir filmes em um celular:

Eu sempre acompanhei Lynch nesse pensamento. Caramba, quem tipo de herege seria eu se assistisse um O Senhor dos Anéis, por exemplo, em uma tela tão pequena? Só poderia ser louco – e tem gente que é, mas há uma demanda, então as grandes produtoras vão aproveitar também. Até aí, beleza; sou da opinião que cada um deve assistir como quiser, mesmo que isso não chegue perto da experiência (volto nesse assunto de “experiência” em um próximo post) de ver numa tela grande ou mesmo numa televisão com várias polegadas. Mas sejamos sinceros: nenhum filme é feito hoje para ser visto em um celular. Ou série de tv, ou qualquer outro formato. Estão vendo onde quero chegar? Criar especificamente para celulares. Com games isso já acontece há alguns anos, pelo menos. E com uma tela como a do iPhone – sim, eu já mexi num deles e realmente fiquei besta com o tamanho e com a resolução – dá para fazer estragos! :-D

A palavra de ordem agora é: produzir! O momento é de experimentação, tanto na área artística quanto na área de negócios – vamos testar novos estilos visuais, vamos testar novos modelos de negócios, vamos colocar a mão na massa!

Falem da TV digital, falem em Chris Anderson, Cauda Longa” e “freeconomics” (também volto a comentar sobre esses assuntos em breve, muito em breve), falem da alta-definição; tudo isso é bacana e relevante, mas tudo isso será puxado pela internet móvel. E aquele que tiver conteúdo bom e barato para oferecer, leva. Por quê não nossas animações? 3G, baby! Afinal, todos nós adoramos odiar esses malditos aparelhinhos – todo muito quer se ver livre deles, mas niguém consegue. Too… damn… addictive… :-D