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ANIMA MUNDI 2008: o que eu vi, parte 2

1 Comment | This entry was posted on ago 01 2008

Dando continuidade aos reviews das poucas sessões do Anima Mundi 2008 (leia a primeira parte dos reviews clicando aqui) que eu tive o prazer de comparecer, agora comento os curtas da sessão CURTAS 12:

:: FEAR, de Agustin Graham | Argentina (2007)
Uso das técnicas japonesas do anime para falar sobre como a realidade de um jovem fica distorcida ao ser tomado pelo medo. Animação bem feita, curta interessante. Aproveite para ver um trecho da animação abaixo ou clicando aqui:

– Nota: 3

:: REPLAY, de Boumediane, Delmeule, Voisin e Felicite-Zulma | França (2007)
Não há como negar: os franceses têm se destacado cada vez mais em seus curtas animados (Bernie´s Doll e Quidam Dégomme são os exemplos mais recentes que comentei na primeira parte desse review) e “Replay” é mais uma prova disso. Uma idéia simples e muito bem executada, conta a história de dois irmãos vivendo em um mundo pós-apocalíptico onde a terra está devastada e o ar está contaminado. Lana retorna todo dia ao bunker onde vive com seu irmão mais novo, Theo, com novidades sobre o mundo exterior. Dessa vez, Theo se encanta por um objeto em especial, e a história corre a partir daí. Simples e direto ao ponto, muito bom. E olha só que maravilha: você pode assistir o curta completo abaixo, direto no YouTube ou clicando aqui para assistir no site DailyMotion:

Aproveite para visitar o site oficial do filme, em www.replay-lefilm.com.
– Nota: 4

:: PLASTIC PEOPLE, de Pavel Koutský | República Tcheca (2007)
Uma brincadeira sobre a obsessão em melhorar o visual através das cirurgias plásticas. Não sou lá muito fã do estilo visual nem da animação, mas as piadas são bem divertidas.
– Nota: 3

:: MAHI, de Mahmoud Fakhrinejad | Irã (2006)
Depois de Sensorium (comentado no post anterior), eis mais uma porcaria sem sentido, sobre um peixe sendo pescado. Para entender o que se passa na tela é uma briga. Nem vou perder meu tempo aqui, já que perdi muito tempo vendo esse curta.
– Nota: 1

:: LA TÊTE DANS LES FLOCONS, de Bruno Collet | França (2007)
“Um surfista doido por neve” é a tradução literal desse curta em stop-motion, que prova novamente que os franceses estão na crista da animação. :-) Nesse curta, uma competição de esquiadores é ameaçada por um dos participantes, que fará de tudo para tirar os outros competidores da briga e conquistar o primeiro lugar. Humor completamente nonsense, que parece uma mistura da série Frango Robô (Robot Chicken), da Cartoon Network, com A Corrida Maluca (Wacky Races), da Hanna-Barbera. Divertidíssimo. :-D
– Nota: 5

:: UNPREDICTABLE BEHAVIOR, de Ernst Weber e Pasha Shapiro | Estados Unidos (2007)
Mais um curta em CGI, que mostra a conversa entre Sherlock Holmes e seu fiel ajudante, Dr. Watson, sobre o mistério de Jack, o Estripador. A animação me incomodou em alguns pontos, mas a modelagem é eficiente. A história é meio sem sentido, tentando questionar o pensamento racional e a natureza humana e, de repente, toma um caminho completamente bizarro. Interessante, mas fica isso.
– Nota: 3

:: CÂNONE PARA TRÊS MULHERES, de Carlos Eduardo Nogueira | Brasil (2008)
As únicas coisas interessantes neste curta são o uso das cores e a modelagem dos personagens, principalmente das mulheres que dão nome à essa produção CGI de Carlos Eduardo Nogueira, que mostra “três mulheres-fetiche – uma aeromoça, uma enfermeira e uma secretária – e seu dia-a-dia repetitivo de trabalho, assédio sexual e o retorno aos braços de seus maridos”. Não achei muito sentido nisso, para mim morreu na praia, mas visualmente é bem interessante.
– Nota: 2

:: HOW TO HOOK UP YOUR HOME THEATER, de Kevin Deters e Stevie Wermers-Skelton | Estados Unidos (2007)
A espera finalmente acabou! :D Uma ode aos clássicos curtas do Pateta da década de 40 e 50, “How to Hook Up Your Home Theater” transborda nas homenagens, que aparecem em cada segundo da projeção: desde a tela inicial de apresentação, com fundo vermelho e a cara do personagem aparecendo em destaque, passando pela música de Michael Giacchino (Os Incríveis) que bebe na fonte das trilhas produzidas por Oliver Wallace, indo até mesmo a replicar cenas clássicas como a do campo de futebol americano do curta How to Play Football, tudo isso banhado pela narração de Corey Burton. Mas o mais importante é que você não precisa saber nada dessas referências: o curta é realmente engraçado! E o “Aaaaaaaaaaahuhuhuhuiiiiiiii” também está lá. :-D Todo filme que fosse para o cinema deveria começar com algo assim, coisa que a Pixar percebeu desde o começo e vem nos presenteando com curtas cada vez mais espetaculares (eu já comentei aqui que Presto é o melhor curta deles até hoje? :-D ). Simplesmente genial.
– Nota: 5

Sobre a lista dos melhores longas animados produzidas até hoje, pelo site Yahoo!

0 Comments | This entry was posted on jun 16 2008

Como eu sei que a maioria adoooooora uma listinha, achei essa há alguns dias, que listava o resultado de uma pesquisa feita com os usuários do site Yahoo! gringo sobre os melhores longas animados já criados.

Resumidamente, a lista ficou assim, em ordem crescente:

30. Bambi
29. Mogli, O Menino Lobo (The Jungle Book)
28. A Bela Adormecida (Sleeping Beauty)
27. Os Sem-Floresta (Over the Hedge)
26. Os Simpsons – O Filme (The Simpsons Movie)
25: A Era do Gelo 2 (Ice Age: The Meltdown)
24. A Era do Gelo (Ice Age)
23. Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs)
22. O Castelo Animado (Howl’s Moving Castle)
21. Mulan
20. Peter Pan
19. Horton e o Mundo dos Quem (Dr. Seuss’ Horton Hears a Who)
18. A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp)
17. O Estranho Mundo de Jack (Tim Burton’s The Nightmare Before Christmas)
16. Princesa Mononoke (Princess Mononoke)
15. Cinderela (Cinderella)
14. A Pequena Sereia (The Little Mermaid)
13. Encantada (Enchanted)
12. Shrek 2
11. Carros (Cars)
10. Monstros S.A. (Monsters, Inc.)
09. A Viagem de Chihiro (Spirited Away)
08. Aladdin
07. A Bela e a Fera (Beauty and the Beast)
06. Toy Story
05. Ratatouille
04. Shrek
03. Os Incríveis (The Incredibles)
02. O Rei Leão (The Lion King)
01. Procurando Nemo (Finding Nemo)

Tá, eu sei que essa lista não foi montada por amantes ou verdadeiros conhecedores da arte da animação, mas sim pelo público comum, também conhecido como “aqueles caras que pagam o salário dos animadores”, o que deve ser levado muito (muito MESMO) em conta. Notem que os 10 primeiros filmes são produções recentes, com menos de 20 anos de vida (“A Bela e a Fera” tem apenas 17 anos).

Mas como eu sou chato, e muitos fãs de animação também são, eis meus comentários totalmente parciais, cheios de mágoa e com objetivo apenas de divertir: :-D
- Não vou discutir a ordem dos filmes, afinal, cada um tem uma preferência. E eu mesmo não saberia o que fazer com os três primeiros. :-)
- Akira, Ghost In The Shell e principalmente Tarzan não estão na lista? Pfft.
- “Os Sem-Floresta” é bem divertido e tals, mas também não o colocaria nessa lista. Muito menos “A Era do Gelo”. Bom, pelo menos não apareceu Robôs… ufa. :-)
- “Shrek”? Ah, qualé!? Só eu que acho esse filme uma porcaria??
- E, pelamordedeus, o que “Encantada” tá fazendo ali? Tudo bem, eu gostei bastante do filme, mas desde quando 12 minutos de animação em um filme de 1 hora e meia faz dele um “filme de animação”? Ê, povinho…
- Já o genial Uma Cilada para Roger Rabbit não só pode como deve ser considerado um filme animado, esequer dá as caras. Normal…
- Gostei bastante de três filmes do Hayao Miyazaki darem as caras na lista.
- Outra coisa: cadê Fantasia? E A Fuga das Galinhas?
- Eu perguntaria também o que o espetacular Happy Feet: O Pingüim não tá fazendo nessa lista, mas tenho medo de levar pedrada do pessoal anti mocap. :-)

Você concorda? Não? Comentem aí embaixo. :-)

PS.: Sim, a imagem que ilustra esse post é uma piada. Ha ha ha, engraçado pacas eu. :-D

Morreu OLLIE JOHNSTON, o último dos Nine Old Men da Disney

3 Comments | This entry was posted on abr 15 2008

Ollie Johnston

E depois de dois dias longe do Animartini, a volta é marcada por uma notícia triste. Corri atrás para confirmar a informação em diversos sites, como o Animated News, Ain’t It Cool News, Cartoon Brew, The Blackwing Diaries, Jim Hill Media, Fórum Animations, e realmente era verdade: Ollie Johnston, o último dos nove grandes animadores que tornaram a animação Disney referência no mundo inteiro, se foi ontem, dia 14 de abril, aos 95 anos. Provavelmente tomou um de seus trens, outra paixão de Ollie, e foi se encontrar com o grande amigo Frank Thomas e com a esposa, Marie. :-)

Se você é fã de animação e não sabe nada sobre Ollie Johnston, pode começar a correr atrás. Johnston e Thomas faziam parte do Nine Old Men (que incluía também Les Clark, Wolfgang Reitherman, John Lounsbery, Eric Larson, Ward Kimball, Milt Kahl e Marc Davis), grupo de animadores que trabalharam diretamente com Walt Disney e fizeram escola com seus trabalhos nos clássicos longas animados capitaneados pelo pai do Mickey Mouse (afinal de contas, o Ub Iwerks é a mãe :-) ). Foram eles que transformaram as visões malucas de Disney em realidade quando o assunto era filmes, criando técnicas e estilo, construindo as bases do que é produzir animação bela, suave, consistente, cativante; isto é, criaram vida, como diria Chuck Jones, outra lenda (que criou a frase “Animation isn’t the illusion of life; it IS life“, que se pode traduzir como “Animação não é a ilusão da vida; é a própria vida“). A Pixar, por exemplo, cria todos os seus clássicos baseados nas lições deixadas por essas lendas. John Lasseter (a mente criativa por trás da Pixar e da Disney, e diretor dos filmes Toy Story, Vida de Inseto e Carros) e Brad Bird (diretor de O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille), fãs declarados do trabalho dos Nove e que tiveram a oportunidade de trabalhar com alguns deles, não cansam de falar da influência deles. Olha só o Brad Bird falando de como Milt Kahl criticou um de seus trabalhos antigos (em inglês):

Ollie animou cenas clássicas, como aquela em que Pinóquio conta uma mentira para a Fada Azul, e as cenas com o Bambi bebê. Junto com o amigo Frank Thomas – uma parceria que é lembrada não apenas pelos grandes trabalhos produzidos em parceria, masprincipalmente pela amizade entre os dois, amizade essa que conhecidos e familiares dos dois não conseguiam descrever em palavras – Ollie animou o Panchito em Os Três Cavaleiros e dirigiu sequências animadas que moldaram forma e movimento de personagens como Baloo, Baghera, Mowgli e da Garota em Mowgli, o Menino-Lobo; dos penguis garçons de Mary Poppins; de Pongo, Perdita, da Babá de daquela renca de filhotinhos em 101 Dálmatas, entre muitos outros trabalhos (veja a lista completa dos trabalhos aqui).Duvida? Veja o mestre Glen Keane falando do trabalho de Johnston:

Eu, um aprendiz e estudioso desse universo animado, fico triste em dizer que ainda conheço pouco sobre Johnston e os Oito. Estou colocando muitas leituras em dia. Mesmo assim, desde que comecei a me interessar realmente por este universo maravilhoso, e da minha eterna paixão pela Disney, o nome de Frank Thomas e Ollie Johston eram o que mais apareciam – junto com Ward Kimball, Milt Kahl e Wolfgang Reitherman. Nesse momento eu me lembro do Thiago El Cid, que sonhava em um dia conhecer pessoalmente o mestre Will Eisner, eu também sonhava em conhecer Frank Thomas, Chuck Jones e, claro, Ollie Johnston.Mas aí eu perdi o horário e o trem partiu. É a vida.

O bom é saber que o legado dele ainda vive, agora nas mãos de outros mestres como Keane, Bird, Andreas Deja, Andrew Stanton

UPDATE: O Celbi Pegoraro, do Animation Animagic, fez um artigo muito bacana sobre o animador.