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BILL MELÉNDEZ: morreu a voz e a alma do Snoopy e do Woodstock

O mexicano José Cuauhtemoc “Bill” Meléndez morreu na terça-feira, dia 02 de setembro, aos 91 anos. Ele estava internado no St. John’s Hospital, em Santa Monica, Califórnia.
Se você é fã de animação vai se lembrar rapidamente do nome de Melendez e de seu trabalho fenomenal como diretor e produtor não apenas do clássico O Natal de Charlie Brown (A Charlie Brown Christmas), mas de todos os curtas animados especiais de fim de ano da turminha criada pelo cartunista Charles M. Schulz. Sem falar que Melendez também fazia a “voz” do cachorrinho Snoopy e do passarinho Woodstock, aqueles grunhidos que todo mundo conhece.
Só por isso Bill Meléndez já teria seu cantinho reservado no grande panteão dos mestres da animação, mas ele foi além. Você sabia que ele se formou na Chouinard Art Institute, que mais tarde se tornaria a conceituada CalArts, a California Institute of the Arts? Você também sabia que Melendez foi contratado por Walt Disney em 1938 e trabalhou animando longas metragens clássicos como Bambi, Fantasia, Pinóquio e Dumbo, sem falar em curtas do Mickey Mouse e do Pato Donald? E ainda tem mais: após sair da Disney, ele se juntou á equipe do mestre Leo Schlesinger na Warner Bros. e trabalhou com Bob Camplett, Art Davis e Robert MacKimson em diversos curtas do Pernalonga, do Patolino e do Gaguinho (curtas como Wabbit Twouble, Mouse Menace, What Makes Daffy Duck e What’s Up, Doc foram produzidos por Meléndez).
Mas é do Snoopy e do Charlie Brown que sempre me lembrarei ao falar de Meléndez. A animação da turma do Minduim, acompanhada pela trilha sonora espetacular criada por Vince Guaraldi, é de tamanha criatividade e beleza que chega a doer. Bill era o único animador que o criador do Snoopy permitia que trabalhasse com seus personagens, o que deve ter um grande valor.
O animador e diretor deixa sua esposa Helen, dois filhos (Steven Melendez e o almirante da Marinha Rodrigo Melendez), seis netos e 11 bisnetos.
Mais um mestre que se vai.
Morreu OLLIE JOHNSTON, o último dos Nine Old Men da Disney

E depois de dois dias longe do Animartini, a volta é marcada por uma notícia triste. Corri atrás para confirmar a informação em diversos sites, como o Animated News, Ain’t It Cool News, Cartoon Brew, The Blackwing Diaries, Jim Hill Media, Fórum Animations, e realmente era verdade: Ollie Johnston, o último dos nove grandes animadores que tornaram a animação Disney referência no mundo inteiro, se foi ontem, dia 14 de abril, aos 95 anos. Provavelmente tomou um de seus trens, outra paixão de Ollie, e foi se encontrar com o grande amigo Frank Thomas e com a esposa, Marie.
Se você é fã de animação e não sabe nada sobre Ollie Johnston, pode começar a correr atrás. Johnston e Thomas faziam parte do Nine Old Men (que incluía também Les Clark, Wolfgang Reitherman, John Lounsbery, Eric Larson, Ward Kimball, Milt Kahl e Marc Davis), grupo de animadores que trabalharam diretamente com Walt Disney e fizeram escola com seus trabalhos nos clássicos longas animados capitaneados pelo pai do Mickey Mouse (afinal de contas, o Ub Iwerks é a mãe
). Foram eles que transformaram as visões malucas de Disney em realidade quando o assunto era filmes, criando técnicas e estilo, construindo as bases do que é produzir animação bela, suave, consistente, cativante; isto é, criaram vida, como diria Chuck Jones, outra lenda (que criou a frase “Animation isn’t the illusion of life; it IS life“, que se pode traduzir como “Animação não é a ilusão da vida; é a própria vida“). A Pixar, por exemplo, cria todos os seus clássicos baseados nas lições deixadas por essas lendas. John Lasseter (a mente criativa por trás da Pixar e da Disney, e diretor dos filmes Toy Story, Vida de Inseto e Carros) e Brad Bird (diretor de O Gigante de Ferro, Os Incríveis e Ratatouille), fãs declarados do trabalho dos Nove e que tiveram a oportunidade de trabalhar com alguns deles, não cansam de falar da influência deles. Olha só o Brad Bird falando de como Milt Kahl criticou um de seus trabalhos antigos (em inglês):
O bom é saber que o legado dele ainda vive, agora nas mãos de outros mestres como Keane, Bird, Andreas Deja, Andrew Stanton…
UPDATE: O Celbi Pegoraro, do Animation Animagic, fez um artigo muito bacana sobre o animador.



